Estrangeiros no momento
2003-09-30
 
A Revisitação do Nuno Anjos
Afinal estamos tão próximos como sempre soubemos todos que estávamos!RF

Admito que o tom do meu comentario nao foi bem conseguido, no sentido em
que parece uma defesa de Kissinger em comparacao com Bush & Cia.
Desde logo e' um erro referir Kissinger antes de Nixon. Enquanto esteve no
poder foi Nixon que determinou a politica americana. So com Ford e' que
Kissinger entrou em roda livre.

O Vietname nao foi uma criacao de Nixon, mas sim de Kennedy e Johnson.
Alias Nixon foi eleito com a promessa de acabar com a guerra.
E de facto ele tentou acabar com a guerra, mas de uma forma criminosa:
bombardeamentos massivos e operacoes clandestinas no Laos e Cambodja.
A historia da bomba surge nesta escalada de "shock and awe".
Nem a bomba, nem a golpada maoista assustaram o velho Ho, e Nixon teve
de engolir a retirada.
Mas se eram criminosas, as accoes de Nixon e Kissinger nao eram estupidas.
Eles conseguiram que uma guerra desastrosa nao prejudicasse os americanos
na estrategia global. Jogaram com as divisoes dos seus adversarios, e
brevemente Vietname e China entrariam em confronto aberto.

Ora as accoes de Bush sao profundamente estupidas. Como explicar que, apos
os sucessos militares fulgurantes que foram o Afeganistao e o Iraque, os
EUA se vejam sem aliados? Ate o Tony evitou ir `a recente assembleia geral
da ONU - ja nao tem coragem de dar a cara!!! E e' esta estupidez (devida
`a cegueira ideologica) que torna profundamente perigosa esta admnistracao.
Como nos diz a teoria da estupidez de Carlo Cipolla
(http://www.gandalf.it/stupid/portug.htm),
nada e' mais perigoso que um estupido. Porque a estupidez de Bush
atinge todos: os civis iraquianos, que sao os alvos errados, os soldados
americanos, que combatem a guerra errada, e tambem a nos, europeus, porque
este
conflito so da' forca `as forcas mais reaccionarias do mundo islamico.

Se Kissinger apoia Bush, apenas comprova as suas limitacoes.
De facto se Kissinger e' mestre em alguma coisa e' na sua auto-promocao.
Mas e' um facto que os "realistas" americanos se opoem a esta guerra.
O desespero foi tal que Brent Scowcroft tentou levar o Bush senior a
intervir. Bush senior nao fez nada. Estara' arrependido?
(Nuno Anjos)

 
Revisando/Revisitando
AG, creio que não entendeste exactamente o que quis dizer, seguramente por culpa da minha mania em explicar demasiado o que é óbvio e não tanto o que talvez não seja.
Primeiro quando me refiro a política esquizofrenica americana da segunda metade do século XX estou me referindo, a política americana de apoiar Bin Laden e Al Quaeda em Afeganistão contra os russos, ao mesmo tempo que se tem como grande inimigo o fundamentalismo islámico, e o Irão, e ao mesmo tempo ainda vender armas ao Irão para conseguir dinheiro para apoiar os Contra, etc, etc... Isto não é só hipocrisia, é esquizofrenia (esquizofrenia hipócrita se quiseres...) e de certa forma era previsível que terminasse em tragédia...
Quanto ao génio de Kissinger, continuo com a minha: a sua genialidade foi transformar a maior derrota militar americana, e da qual ele é grande (concordo que não o único) responsável, em uma vitória pessoal com direito a Nobel e tudo. Mas na prática a avaliação da sua performance como responsável da política externa americana está longe de poder considerar-se genial mesmo desde um ponto de vista maquiavélico.
RF
 
Ensino Superior
Por falta de tempo, e porque não podemos falar de tudo, não abordei aqui ainda os recentes resultados do acesso ao Ensino Superior e as propinas. Sobre este último assunto, a minha posição coincide genericamente com a do Barnabé e a de Manuel Villaverde Cabral, que no pouco espaço que tem para escrever sumariza bem como julgo que esta questão deve ser vista. Há ainda as praxes. Espero voltar a estes assuntos em breve. FM
 
Blogues
Agradecemos ao Dicionário do Diabo e ao Cruzes Canhoto, por nos terem divulgado e pelas muito simpáticas palavras de incentivo.
Cumprimentamos o Pedro Lomba por um regresso que esperávamos.
Saudamos ainda o surgimento de um novo e interessante blogue à esquerda, o Descrédito!FM
 
Explicação da Rua da Madalena
Durante uma viagem de autocarro pelas ruas de Lisboa, reparo por acaso num dos variados espécimes da famosa propaganda santanista, a orgulhar-se de "transformar" a Rua da Madalena. "A Rua da Madalena, ah, grande nabo!", pensei. O nosso leitor Pedro Miguel Martins, e todos os outros que já se estavam a rir da resposta que eu lhe dei, que me desculpem mas têm de me dar um desconto: não só não estive em Lisboa regularmente nos últimos anos (e só cheguei há pouco tempo), como não costumo ir muito para os lados do Largo do Caldas, como disse. Mas tens razão, Pedro: a Rua da Madalena, e todas as ruas encerradas para obras em Lisboa, também contaram para o Dia Sem Carros. Ficam nas estatísticas. FM
 
Elia Kazan
Elia Kazan foi um genial cineasta, tendo realizado alguns filmes que não me saem da memória, como "Há Lodo no Cais" e "Um Eléctrico Chamado Desejo". Foi um dos fundadores do Actor's Studio, tendo sido grande responsável pela difusão do respectivo "método". Como artista, ficará na história como um dos realizadores mais brilhantes do século XX. E mais influentes, pois deixou um estilo, uma marca que inspirou muitos dos seus seguidores. Ficará também na história por ter sido um bufo.
Tal atitude haveria de o marcar para o resto da vida. Vale a pena recordar como Kazan classificava a sua atitude. De acordo com o The New York Times de hoje,

Asked why he had identified others, he cited a "specious reasoning which has silenced many liberals" that ran like this: "You may hate the Communists, but you must not attack them or expose them, because if you do you are attacking the right to hold unpopular opinions."
"I'd had every good reason to believe the party should be driven out of its many hiding places and into the light of scrutiny, but I'd never said anything because it would be called `red-baiting,' " he wrote years later. "The `horrible, immoral thing' that I did I did out of my own true self."
"I said I'd hated the Communists for many years and didn't feel right about giving up my career to defend them," Mr. Kazan recalled. "Was I sacrificing for something I believed in?" His decision cost him many friends.
Years later, Mr. Kazan expressed doubts. "What I'd done was correct," he wrote, "but was it right?"


Na hora da sua morte, é justo, tal como foi durante a sua vida, que lhe prestemos as maiores homenagens. Mas não é justo que esqueçamos esta outra sua faceta. Pelas vítimas das suas delações. Pela liberdade na América, que ele quis controlar e restringir.
Estes valores são muito caros a uma direita que obriga a esquerda permanentemente a retratar-se. A esquerda tem de se retratar pelo estalinismo. A esquerda tem de se retratar por Cuba. A esquerda tem de se retratar pelo terrorismo. A esquerda tem de se retratar pelo 11 de Setembro. Mesmo que não tenha nada a ver com isto, de acordo com a retórica desta direita toda a esquerda tem sempre que se retratar.
Ao contrário, eu não peço a toda a direita que se retrate pela Caça às Bruxas. Só quem é responsável. Elia Kazan nunca se arrependeu verdadeiramente. Nunca se retratou. Por isso, merece ser recordado por tudo o que aqui foi enumerado. FM
2003-09-29
 
Jogo de espelhos... revisited
Em relação ao comentário do comentário, acho que estas ler as coisas demasiadamente à  letra Rui.
Então achas que o Nuno é lá rapaz para vir para aqui elogiar o Kissinger?
Se o dito cujo é génio ou não - será um génio na sua filhodaputice (para quê insultar o pobre Machiavelli). Mas será que há génio em não ter escrúpulos, em seguir o caminho de menor resistência? Existe uma arte de bem pisar o próximo?
Quanto ao Vietnam, o Kissinger foi apenas mais um numa longa série de gente com as mãos manchadas de sangue, (incluindo o primeiro esposo da Madame Onassis). Claro que o Kissinger foi foi o único que ganhou um Nobel da Paz por causa disso.
Também é ingénuo achar que a politica externa "esquizofrénica" americana só chegou na segunda metade do SéculoXX. Antes era certamente mais limitada geograficamente. Mas basta olhar para a História do Haiti, República Dominicana, Panamá, Filipinas. A diferença será que antes da Guerra, a superioridade do "homem civilizado", leia-se "homem branco do norte", era tida como evidente, e como tal, tais polití­cas externas (e internas) eram tidas apenas como o exercí­cio de um direito natural (ou divino), em nada diferente das politicas das potências coloniais europeias.
Depois de camisas castanhas e camisas pretas e 40 milhões de mortos, o que antes era evidente tornou-se indefensável. A praxis essa manteve-se, pintada com muitas camadas hipocrisia e mentira e com os chavões "guerra fria", "mundo livre", "free market" etc.
O termo apropriado não será tanto esquizófrenico mas sim hipócrita.
O que me parece que se passa com os neo-conservadores e gentinha afim é que estão dispostos a deixar cair o verniz e assumir o direito do mais forte como valor moral sem papas na lí­ngua. E aí­ discordo contigo Nuno quando dizes que o Kissinger difere dos actuais neo-conservadores. No cerne são a mesmíssima coisa - ambição, egoísmo, soberba, desprezo pelo vida humana.

Recomenda-se a leitura de "World orders - Old and New" do Chomsky - um ensaio que demonstra bem a equivalência das velhas e nova ordens mundiais,i.e., pré 1945, 1945-1989, e pós 1989.AG
 
O espectro do bacalhau
Diz o André que o Bacalhau à Zé do Pipo é um prato "de direita". Creio que tal opinião carece de fundamento, e fui investigar a origem da receita. De acordo com essa Bíblia da Cozinha Portuguesa (e um precioso auxiliar do meu doutoramento - deveria tê-lo incluído na bibliografia da tese) que é a compilação Receitas de Todo o Ano, do Pingo Doce, temos "que a receita do Bacalhau à Zé do Pipo tem origem nas inspirações gastronómicas das gentes do Norte, parece que é ponto assente, agora quem de facto é este Sr. Zé do Pipo, é que não conseguimos apurar. Fiquemo-nos, pois, com as sugestões do nosso Eça e imaginemos o criador desta delícia como mais um português bigodudo, de fartas falas e gestos, e com uma paixão desmedida pelo fiel amigo. Vendo bem, não é este um bom retrato da generalidade dos portugueses?"
Nada daqui permite concluir que o Zé do Pipo seria de direita. Na verdade, o nortenho Bacalhau à Zé do Pipo, o lisboeta Bacalhau à Brás e o minhoto Bacalhau à Braga parecem-me ser pratos populares, pela maneira como estão difundidos e pelo tipo de ingredientes. E sobretudo pelo nome dos seus autores. Um tipo que é conhecido como "Zé do Pipo" não pode ser de direita! De facto a maionese é um ingrediente burguês, e nem sequer genuinamente português, pelo que desconfio que o Zé do Pipo deveria ser o cozinheiro de alguma boa família portuense, para ter acesso a ela. Tal como a feijoada era originalmente uma combinação de restos de carne seca com feijão, para alimentar os escravos, ou a Roupa Velha, desconfio que o Bacalhau à Zé do Pipo, pela misturada de que é composto, deveria ser um prato de aproveitamentos feito para os criados da casa comerem, a partir de restos de bacalhau e batatas, a que se juntava a maionese já velha, antes que se estragasse.
Um bacalhau misterioso é o à Gomes de Sá. Pelos ingredientes é seguramente um prato popular, e é um dos bacalhaus mais difundidos e conhecidos internacionalmente. Em Manhattan, num restaurante brasileiro/português chamado Cabana Carioca, pode comer-se um buffet de Gomes de Sá por $5.95+imposto. Também é um prato nortenho. A minha dúvida quanto ao seu carácter democrático deve-se ao nome do seu criador. Um tipo conhecido como "Gomes de Sá" não podia ser de esquerda. Se era um cozinheiro, era mais um exemplar dessa triste espécie que são os proletas reaças. Mas para uma análise mais completa precisava da minha teoria que permite identificar se uma pessoa é de esquerda ou de direita pelo seu nome, algo que ando a prometer desde os meus primeiros tempos no Blog de Esquerda. Fica para outra altura, e fica este bacalhau em aberto, tal como o com natas. Por agora, André, convence-te que bacalhaus de direita são de certeza aqueles com nomes de restaurantes que a esquerda jet-se7e (João Gobern, Pedro Rolo Duarte...) gosta de frequentar: à Espiritual, à Conventual... FM

2003-09-27
 
Pequeño Vals Vienes
En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.

Este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados.
Hay frescas guirnaldas de llanto.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals del "Te quiero siempre".

En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orilla tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.

Federico García Lorca in "Poeta en Nueva York" 1930
AG
2003-09-26
 
De carro para o estádio
À entrada, reparei que estavam bichas de carros para estacionar. Se há coisa que este estádio tem, é boas acessibilidades em termos de transportes públicos. Aqueles espectadores provavelmente iam chegar atrasados e perder o início do jogo. Pensei: "bem feita!"
À saída, descia o Campo Grande a uma velocidade superior à dos carros engarrafados. Pensei: "bem feita!"
O AA de Benavente também levou o seu carro, e acabou por ter um ligeiro problema com o mesmo (nada de muito grave) essa noite. Só não pensei "bem feita" porque ele é meu amigo. FM
 
Comes e Bebes
Antes do jogo, encontrei-me com dois AAs (antigos alunos, o que estão a pensar?) da LEFT; um de Évora e um de Benavente, agora a viverem em Lisboa. Nem tive tempo de reparar nas barraquinhas à volta do estádio. Ia preocupado com a sua possível extinção, e o rude golpe que isso representaria para a cultura popular portuguesa.
Com efeito, dentro do estádio a comida é enjoativamente "para toda a família" e "politicamente correcta". Como orgulhosamente anunciava nos jornais, aquando da inauguração, José Eduardo, um ex-jogador e ex-comentador da RTP de fato e gravata actualmente responsável pelo abastecimento no estádio, há "águas, sumos, cerveja sem álcool, cafés, bolos, sandes, hambúrgueres, pizzas..." (aaargh!) A americanização da comida chegou aos estádios de futebol.
À saída do jogo, passo pelas barraquinhas de comes e bebes. Pelo negócio que estavam a fazer (estavam todas cheias!), vejo que, apesar dos esforços em contrário do José Eduardo e dos responsáveis do estádio, a bela cultura gastronómica portuguesa está salva, pelo menos por aqui. Vendiam-se bifanas, entremeadas (ouviste, André?), couratos (o elemento mais representantivo!), feitos na altura, sempre a saírem e a deixarem o "cheiro a estádio", o "cheiro a ida à bola" que o velho Alvalade tinha e que, espero, este continue a ter por muitos anos. Havia, além disso, imperiais frequinhas e vinho a martelo vendido a copo. Havia farturas e churros. Havia toalhas de plástico de cores berrantes, mas para mim mais bonitas do que os azulejos do Taveira. Havia povo em festa, ainda mais porque o Sporting tinha ganho.
Também isto faz parte da beleza do futebol.
Tinha saudades deste ambiente que me recordou a minha infância, quando, aí sim, ia ao velhinho Alvalade com regularidade. FM

Nota: como é óbvio, sou a favor da proibição da venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios de futebol, por uma questão de segurança pública. Agora, nada há de errado em vendê-las fora do estádio, até porque a entrada é bem controlada, os espectadores são revistados e os indivíduos alcoolizados são barrados. Antes que a direcção do DN inicie mais uma das suas campanhas "cívicas", eu apelo: deixem estar as barraquinhas, tragam a polícia para os estádios (estava lá, eu vi-a, e muito bem) e não estraguem com leis restritivas a festa do futebol.
 
Esclarecimento
Este tipo de comentários futebolísticos não vão ser habituais neste blogue, até porque nem todos somos do mesmo clube. Mas recordo aqui que também não é habitual eu ver futebol num estádio! FM
 
O jogo: Sporting, 2 - Malmoe - 0
Resumo sumário: o Silva é uma nulidade; mandem este pistoleiro para o Texas. Deveria estar a jogar pelo menos um dos Bentos. O Anderson Polga e o Fábio Rochemback são classe pura. Um momento que me ficou na memória foi o Rochemback a receber a bola, a não conseguir controlá-la totalmente, esta a sobrar para um sueco, e o bom do Fábio... vai lá e rouba-lha! Os suecos eram uns toscos. FM
 
Só eu sei por que não fiquei em casa
O Estádio Alvalade XXI não tinha de ser mais uma taveirada, mas infelizmente é o que é. As cores berrantíssimas e a arquitectura ondulada não me tiram as saudades das linhas sóbrias do velhinho Alvalade, que ainda tem um resto de pé. Vou recordar com saudade a velha 10A, com o leão em mármore e o lema do clube. Ou a "bancada nova", com uma belíssima entrada impecavelmente ajardinada, o símbolo do Sporting em calçada portuguesa e a estátua do Stromp mesmo ao lado. Com todos os seus defeitos, era um estádio muito mais à Sporting; era o estádio do Sporting. Este poderia ser o estádio de um clube qualquer, não fossem os azulejos com leões nas casas de banho. Esperemos que o tempo corrija esta situação. Símbolos do Sporting, é do que este estádio precisa. FM
 
A caminho de Alvalade
Quarta à noite ia eu, em passo apertado, pela Cidade Universitária. Uma estudante fala (berra) ao telemóvel. Ouço uma pequena parte da discussão, que presumi ser com o namorado: "Não vieste a correr atrás de mim! E tinhas de ter vindo!" Ah, this sweet thing called love! FM
 
Correio - Pedro Martins
Do leitor Pedro Miguel Martins recebemos o seguinte email:
Filipe, não sejas tendencioso! O Santana aderiu ao dia sem carros e até o prolongou. Veja-se o caso da Rua da Madalena.


Pedro, obrigado pelo teu email. Mantenho que o Dia sem Carros foi uma fantochada. Não posso compará-lo com os anteriores, pois não me encontrava em Portugal. Quanto à Rua da Madalena, não foi o que eu li nos jornais. Sem querer pôr-te em causa, admiro-me que os dirigentes do CDS não pudessem levar o carro para o Largo do Caldas. FM


 
Henry Kissinger
Henry Kissinger
How I'm missing yer
You're the doctor of my dreams
With your crinkly hair and your glassy stare
And your machiavellian schemes
I know they say that you are very vain
And short and fat and pushy but at least you're not insane
Henry Kissinger
How I'm missing yer
And wishing you were here.

Henry Kissinger
How I'm missing yer
You're so chubby and so neat
With your funny clothes and your squishy nose
You're like a German parakeet
All right so people say that you don't care
But you've got nicer legs than Hitler
And bigger tits than Cher
Henry Kissinger
How I'm missing yer
And wishing you were here.

Eric Idle in "Monty Python's Contractual Obligation Album"
AG
2003-09-25
 
11s de Setembros - Um Jogo de Espelhos - Comentário ao Comentário
Nuno, creio que estás sobreestimando o Kissinger....

I) Ele está de acordo com a política desta administração em relação ao Iraque.

II) Pá! O Vietnam não foi nenhum golpe de génio...

III) Que ele é/era menos perigoso??? Homem, muito mais gente morreu por culpa dele que por culpa do Wolfinhovitz. Há quem diga que ele colocou a hipótese de usar a "coisa" no Vietnam... Bem..., o gajo é uma espécie de Doctor Strangelove. Viste o final do filme? Pois... Uma das coisas que mais me assusta nesta administração, é que ela é apoiada pelo Kissinger!

Uma coisa que eu gostava de entender é essa história de tanta gente de bem, como tu, de vez em quando lembrar-se de defender este caramelo. Que o individúo é realista, é frio, um génio do xadrez diplomático, etc. O gajo bateu um papo com o Mao, e daí? O Vietnam devia chegar para fazer do tipo responsável de um dos maiores fracassos da política externa americana.

Um abraço!RF


 
Piada!
Alguém se lembra de um senhor chamado Ali Alatas?
Sabiam que ele agora foi enviado pelo actual governo Indonésio para desenvolver esforços junto ao governo de Burma (agora querem que lhes chamem de Myanmar...) para liberar a líder pro-democracia Aung Sun Kyi?
O mundo dá muitas voltas... Chego a ficar tonto...RF
2003-09-24
 
Bacalhau à  Zé do Pipo
Agradecendo a gentileza de Tulius Detritus na Memória Inventada,e acreditando piamente que as suas palavras foram escritas de boa fé, não posso deixar de corrigir uma afirmação errada (pelo menos no que toca à  minha pessoa):

Primo - O autor deste post nega ter saudades de bacalhau à  Zé do Pipo, mais afirmando ter recentemente confeccionado e consumido em território britânico o referido bacalhau, bem como outras variadíssimas receitas do mesmo espécime ictiológico, estando inclusivé neste momento, por mera casualidade, em processo de digerir um prato de pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.

Secundo -Embora respeitando as opções alimentares de Tulius Detritus, o autor considera a supracitada receita gastronómicamente desinteressante e atentatória contra os usos e costumes culinários portugueses.

Tertio - Mais afirma estar convicto do carácter profundamente reaccionário desta receita (encapotada por um nome aparentemente popular e muita mayonnaise) assunto sobre o qual dissertará numa próxima oportunidade.

Quarto - Não deixando de ser solidário com Tulius Detritus na sua particular frustração gastronómica de português no exílio, o autor confessa é sentir mesmo a falta de uma sardinha fresca e de uma boa fatia de entremeada.
AG
 
Jazz Trios
Bem-vindo a bordo Nuno. Tenho-me lembrado de ti: quando fui ao Village Vanguard (com o Filipe), quando fui ver Jarrett/Peacock/DeJohnette (sem o Filipe), quando comprei o Waltz for Debby...Sempre com piano, baixo e bateria. AG
 
Obrigado
Agradecemos ao Blog de Esquerda, ao Barnabé e à Memória Inventada, por nos terem divulgado e pelas muito simpáticas palavras de incentivo. FM
 
Comentários, críticas, sugestões
Aqui recordamos: enviem-nos para estrangeiros@mail.pt. E informamos que toda a correspondência enviada para este endereço está sujeita a ser publicada no blogue, a menos que contenha indicações expressas em contrário.
 
Comentário a "11s de Setembros - Um Jogo de Espelhos"
Kissinger é muito diferente dos actuais neoconservadores. Kissinger era um realista, um herdeiro de Maquiavel, alguém que usava todo os métodos para defender a razão de estado. Kissinger e Nixon fariam um pacto com o diabo (e fizeram-no com Mao) para conseguirem os seus fins. E nunca embarcariam em cruzadas para mudar o mapa do Médio Oriente!
Os actuais neoconservadores são ideólogos (por isso nunca comtemplaram negociar com Saddam, ou com Kim Jong-Il). Para eles a realidade é uma inconveniência a ser mudada. De tal forma que se chegam a iludir. A surpresa de Wolfowitz e companhia perante os desenvolvimentos actuais é genuína. Nese aspecto são menos hipócritas. Por isso são ainda mais perigosos! (Nuno Anjos)
 
Esquerda LEFT
Esperamos trazer aqui a este blogue mais exemplos da esquerda LEFT, para além de nós três (para saberem o que é a LEFT, cliquem no linque). A LEFT, pelo menos nos anos 90, era mesmo de esquerda na sua maioria, e creio ser esse o caso da maior parte dos cientistas. (No entanto, colegas e amigos de direita, não se acanhem e mandem comentários.)
É com prazer que hoje iniciamos o que, esperamos, seja um hábito duradouro: as colaborações de colegas nossos. E não poderíamos começar melhor, com um amigo nosso que também foi um itálico esporádico do Blog de Esquerda: o Nuno Anjos. A palavra ao Nuno. FM
 
O respeitinho é muito bonito
O futebol consegue merecer o respeito de todo o espectro político, do PCP à extrema direita neo-fascista. É como a Concordata...AG
 
Alvalade
Hoje estreio-me no Alvalade XXI. Já há muitos anos que não vou a um estádio de futebol, mais recentemente pela minha estadia nos EUA, mas mesmo antes nunca fui muito de ir a estádios. Mas não quero deixar de ir conhecer o novo Estádio do meu clube, e confirmar ou desmentir os elogios e críticas que por aí se fazem. FM
2003-09-23
 
Falsificação da verdade
Volto à pergunta da entrada anterior, reformulada para este caso concreto: por que aderiu a Câmara de Lisboa a este Dia sem Carros, se na prática tudo não passou de uma fantochada?
A resposta que eu encontro é parecida com as acusações que Pacheco Pereira geralmente faz aos comunistas, não sem alguma razão (não toda): reescrevem a história, omitem a verdade, branqueiam os crimes. A questão é que esta tendência está presente, não só nos comunistas, mas em todos os políticos de todos os regimes (embora, obviamente, com diferentes graus de gravidade). Neste caso, não será um crime mas é sem dúvida uma desonestidade. Santana Lopes não quer ser impopular entre os condutores, mas quer dizer nas futuras campanhas eleitorais que é "muito ecologista" e promoveu Dias sem Carros (totalmente inexistentes) em Lisboa. Quer que a história da sua presidência seja assim escrita.FM
 
Dia "sem carros"?
Razão tem o itálico J. Campos, do Blog de Esquerda: o dia sem carros não foi em Lisboa, com certeza. Os transportes públicos, apesar de serem de graça, não estavam mais cheios do que nos dias normais (os em que eu andei ficaram muito longe de estar cheios). Estavam duas ou três ruas cortadas ao tráfego: é a isto que chamam "dia sem carros"? Os autocarros continuavam a ter as mesmas dificuldades do costume em circular, devido a carros estacionados em segunda fila. As bichas à hora de ponta nas artérias principais eram exactamente as mesmas. O trânsito estava entupido de carros, a sua maioria só com um condutor, um português típico que buzinava enquanto pensava com os seus botões: "Estes dias sem carros são uma inutilidade. Dizem que não há carros, e estou rodeado de carros por todos os lados! Não sei para que fazem esta palhaçada."
É nestas alturas que eu penso que os portugueses são todos de direita. FM
2003-09-22
 
Para os novos leitores
A primeira entrada deste blogue, a entrada de apresentação, esteve por lapso nosso algum tempo colocada nos arquivos. Alterámos a configuração do blogger, de modo a estar disponível de novo, para os novos leitores saberem quem somos. É só irem lá abaixo... Pedimos desculpa a quem nos visitou e não leu a apresentação. Perdoem-nos; somos bloggers inexperientes. A entrada que mais trabalho deu a escrever, tendo sido amplamente discutida entre nós... É sempre assim. Há quem chame a isto a Lei de Murphy.
Obrigados pela visita e voltem sempre.
2003-09-21
 
Dia sem carros
Segunda-feira é mais um dia sem carros em Lisboa e em várias cidades europeias. A esse respeito, digo que enquanto eu vir lisboetas a levarem o carro para o trabalho (às vezes por distâncias de um ou dois quilómetros), e enquanto vir não-lisboetas a trazerem os carros todos os dias para a cidade (o papá traz um carro, a mamã traz outro, e o menino que anda na Universidade outro), enquanto ouvir pessoas, nestes dias, a escreverem na imprensa e a queixarem-se da "enorme inconveniência" que é ter de andar de transportes públicos, ninguém me convence de que a gasolina está cara. FM
 
11s de Setembros - Um Jogo de Espelhos
O último 11 de Setembro guarda muita semelhanças com o anterior. Em ambos os casos ocorreu uma tragédia cujas origens as encontramos na política externa clandestina americana. Em ambos os casos os criminososos que cometeram o crime nesse dia foram pagos, ajudados e protegidos pela inteligência americana.

De Pinochet já todos sabem: Collin Powell pouco antes do 11 de Setembro admitiu totalmente a culpabilidade americana do 11 de Setembro chileno. Mas o pecado original do 11 de Setembro das twin towers (os twins, os pais e os filhos têem muito que ver com este jogo de espelhos) ainda não foi confessado. E isto de não confessar-se para uma gente tão cristã é outro pecado em si mesmo. Os líderes republicanos americanos foram muito mais responsáveis por qualquer um desses crimes que um Saddam qualquer.

Bin Ladem assim como os Talibãs foram protegidos, inventados, e assessorados por Reagan na sua luta contra os monstros soviéticos em Afeganistão. O mesmo se passou com Saddam.

E não vale a pena me criticarem como esquerda radical a caminho da loucura. Loucura é não admitir que foi a esquizofrenia da real politik americana da última metade do século XX quem fez a cama em que se despertaram no último 11 de Setembro os estadounidenses. (E prefiro dizer estadounidenses desde que recentemente Bowling for Columbine de outro louco estrangeiro no momento, Michael Moore, nos mostrou/relembrou que essa loucura não chegou aos ainda mais norte americanos que estão em Canadá.)

A única diferença entre Kissinger e os actuais think tanks no poder é que Kissinger era/é um pouco menos hipócrita e utilizava/utiliza (por motivos óbvios, já que era/é judeu) menos simbolismos cristãos para justificar as suas loucuras.

Dito isso, e para que não haja confusão. Me horroriza qualquer um dos 11s de Setembros. Apenas acho que é preciso, por todos os motivos, lembrar/relembrar que os aniversariantes desta horrosa festa são os mesmos. RF
2003-09-19
 
Hallelujah!
Um artigo histórico: depois de George W. Bush, agora até António Ribeiro Ferreira reconhece (timidamente, no meio de elogios a Sharon) o direito à existência do Estado da Palestina. Que mais surpresas nos reservará ARF? FM
 
Itálico
Uma das vantagens de escrever num blogue próprio e não no Blog de Esquerda (de que fui colaborador com todo o gosto, e será sempre um dos meus blogues de eleição) é poder escrever em itálico, quando me apetecer. FM
 
Pinochet e Pinochetistas
Curiosamente, parece que cada vez que o Pedro Mexia e a esquerda se metem ao barulho, há o Pinochet pelo meio. Estávamos ainda nos tempos da Coluna Infame quando eu, no Blog de Esquerda, insinuei que o Pedro seria pinochetista. Tudo isto por ele, na altura, estar a dar tempo de antena a um pinochetista amigo dos Marretas (esse, sim, não engana ninguém). O assunto com o Pedro foi rapidamente resolvido, mas quanto às ideias do amigo do Statler, se dúvidas restassem, ele dissipou-as no passado dia 11 de Setembro. (E razão tem a Ana Sá Lopes: a direita, sobre o Pinochet, assobia para o ar, quando não diz "mas...". À atenção do João Miguel Tavares) Sobre este assunto (e muitos outros), recomendo o blogue do documentado e articulado Jorge. FM
 
Carta aberta ao Pedro Mexia
Caro Pedro, nem eu te conheço pessoalmente e nem tu a mim, mas sabes que, embora haja grandes diferenças nas nossas ideias políticas, aprecio o que tu escreves desde o tempo do "DN Jovem" em papel. Posteriormente, trocámos alguns galhardetes, tu na Coluna Infame e eu no Blog de Esquerda.
Nessa altura escrevi que, se por vezes eras provocatório, deverias ser mais receptivo a que o fossem contigo também. Dados os desenvolvimentos recentes, não só mantenho isso como acrescento: em vez de "amuares", como alguém disse, deverias reflectir um pouco e aceitar que, às vezes, também exageras e erras.
O exemplo mais recente é o tristemente famoso "No 11 de Setembro, a esquerda vai assobiar para o lado e evocar o Chile". Eu compreendo que a tua raiva para com os comentadores de esquerda que tentam justificar ou desculpabilizar o 11 de Setembro de 2001 seja grande (a minha também o é). Mas não podes deixar que esta raiva te cegue, ao ponto de relativizares e secundarizares o golpe do Pinochet, e tudo o que se lhe seguiu. Pode não ser isso que pensas (é claro que não; para tal, basta ler os teus comentários políticos, desde que escritos de cabeça fria), mas indiscutivelmente foi isso que escreveste. Resta dizer que a resposta da Ana Sá Lopes foi bem dada (sendo que foi uma provocação dirigida a ti, e não "à esquerda" em abstracto; o que disseste chega a ser ofensivo, Pedro), e que te tinha ficado melhor reconheceres que erraste em vez de amuares.
Fico à espera do teu regresso à blogosfera enquanto "político". FM
2003-09-18
 
Nixon Goes To China!
O grande (gigantesco seria a palavra correcta) Aznar "went to Libia". Que momento! Que clivagem histórica!

A real politik tem agora um novo mestre: Mr Aznar from the Kingdom of Spain.

Vê-los aos dois ali, juntinhos, sorridentes e felizes. Um com o seu bigode, o outro com uma roupa de seda cor de rosa de fazer inveja a qualquer drag queen. O mundo é uma festa!

A um bombardeam-lhe a casa, e ao outro fazem visitas. Qual é o critério? O vestuário?RF
2003-09-17
 
Please, Please me.
A introdução do please na versão inglesa dos avisos da CP,embora correcta, não deixa de revelar um excesso de zelo a que poderemos chamar de fellatio linguisticus, uma das facetas da genuflexão anglófila a que Portugal se dedica com fervorosa devoção.

Embora neste nosso mundo a admiração despropositada por tudo o que é britânico seja a regra, por outros lados fazem-no com mais moderação. Não sei se será a Aliança Luso-Britânica, a Filipa de Lencastre, a Catarina de Bragança, o vinho do Porto, o Wellington ou as spice girls, o que leva o nosso país a prostrar-se nesta adoração submissa.

Ficam-me os cabelos em pé quando oiço expressões do tipo "em terras de sua majestade". Badajoz, Marrakesh ou Chiang Mai também são terras das suas respectivas majestades. O que é que a velha tem a mais que os outros? O Juan Carlos, por exemplo, é bem mais jeitoso, simpático, e constitucional.

Por muito que a imprensa musical apregoe o contrário, o país das casas de banho alcatifadas não pode ser cool com certeza.AG
2003-09-16
 
Mais Rita
Entretanto, no País Relativo não há, que eu tenha visto, nenhuma referência ao desaparecimento do Gastão. Pelos vistos, a família Ferro Rodrigues tem mais influência junto da PT do que da juventude do partido. FM
 
Pobre Rita
Leio no DN de hoje, na secção "pessoas" (não é anúncio): o cão da Rita Ferro Rodrigues desapareceu. Aparece uma fotografia do Gastão (é o nome do cão) com o nosso líder da oposição. Não se compreende como o DN não divulga um telefone, ou um contacto, para os leitores ajudarem o jornal nessa nobre missão que é achar o cãozinho da Rita. Que insensibilidade! Dão somente a notícia, e nem sequer a põem on-line! É gozar com a pobre esquerda jet-set.
Saio à rua e vejo numa banca de jornais a primeira página do "24 Horas". Vem o Gastão numa fotografia grande, e como título "Rita Ferro Rodrigues não dorme há duas noites".
Aqui no "Estrangeiros no Momento" queremos ajudar, na medida do possível, a família Ferro Rodrigues a recuperar a sua preciosa mascote. Não temos fotografias para mostrar nem contactos para dar, pelo que só apelamos: leiam os jornais da PT de hoje, e se virem o cãozinho falem para o Largo do Rato. É pouco mas é de boa vontade. FM
 
Os ingleses e a delicadeza
Provavelmente, o "please" em inglês era só para obedecer ao típico padrão anglo-saxónico (nos EUA é a mesma coisa): um pedido é uma ordem (como refere a Sívia Sousa). Nos países latinos não é assim: uma ordem tem de ser escrita como tal. FM
2003-09-14
 
Comboios (III)
Em espanhol não valeria a pena escrever "por favor". Eles não estão acostumados a tanta boa educação. E digo isso sem chauvinismo nenhum. Mas poderíamos haver pensado nos eventuais colombianos, equatorianos, peruanos, argentinos, etc...

(Irrito-me comigo mesmo pelo uso da primeira pessoa do plural ao referir-me na realidade a algo em relação ao qual não me sinto minimamente responsável.)

E deveríamos haver pensado nos portugueses tão preocupados que somos com a forma, e os bons modos. A propósito de "bons modos" (é inevitável dispersar pela MPB) existem uns versos de Adriana Calcanhoto...

Mas também é vontade de embirrar... Com certeza que os moços dos avisos dos comboios (sejam eles quem forem) puseram "please" só na frase em inglês por razões de poupança de tinta...
RF
2003-09-13
 
Coimbra
Para quem conheça a cidade, dizer isto é desnecessário, mas para quem não conheça ou, como eu, já lá não fosse há muitos anos, aqui fica: Coimbra é linda. FM
 
Comboios (II)
"Não atirar objectos pela janela." Este pedido está formulado em quatro línguas nos comboios regionais: português, espanhol, francês e inglês. Surpreendentemente, só nesta última língua se pede por favor ("please"). Como explicar isto? Só os ingleses são educados e cavalheiros, e há que não os ofender? Ou, pelo contrário, são uma cambada de hooligans, e também por isso há que não os ofender? FM

 
Comboios (I)
Uma estadia recente em Coimbra, mas pernoitando perto de Aveiro, levou-me a utilizar os comboios regionais da CP. Digo "da CP", mas afinal não tenho tanto a certeza. Nos apeadeiros, e mesmo na estação de Estarreja, não é possível comprar-se um bilhete para Coimbra, ou para qualquer outro destino que não entre Aveiro e Porto! (Em Estarreja há guichets de venda, só que têm um horário de funcionamento muito restrito, incompatível com quem tenha de estar em Coimbra às 9:30.)
Ainda em Estarreja, existem uns postos de venda automática, semelhantes aos que já vi em outros países europeus. Conforme referi, só se podem comprar bilhetes para destinos entre Aveiro e Porto. Outros destinos têm de ser comprados dentro do comboio, sendo impossível ao utente saber o preço do seu bilhete antes de iniciar a viagem!
Estimei o preço com base no do percurso Estarreja-Porto, disponível na máquina. Para minha surpresa, era cerca do dobro (1.70 e 3.30 euros)... Inquiri o cobrador, que me explicou que, embora fosse o mesmíssimo comboio, a linha Aveiro-Coimbra tinha uma concessão e a linha Aveiro-Porto tinha outra. Por isso o bilhete Estarreja-Coimbra era tão mais caro, por isso (disse-me ele, mas isto para mim é incompreensível!) em Estarreja só se podia comprar bilhetes para o troço Aveiro-Porto.
Na Holanda e na Itália, para citar dois exemplos que conheço, é possível comprar bilhetes para qualquer ponto do país nas máquinas de venda automática! Não vejo por que razão tal não é possível em Portugal. Se não for possível instalar essas máquinas em todos os apeadeiros, a CP deveria, pelo menos, afixar informação (quem chega ao apeadeiro não tem informação absolutamente nenhuma!) sobre bilhetes e respectivos preços, para que um viajante não habitual, português ou estrangeiro, possa saber como comprar bilhetes e prevenir-se com dinheiro antes de iniciar a viagem. Será pedir muito? Aparentemente é. Comparado com os países que referi, o nosso serviço de comboios é terceiro-mundista. Depois há quem se admire de cada vez menos as pessoas usarem o comboio, e há quem use isso como pretexto para cada vez a extensão da rede ferroviária ser menor. FM

 
Marx
Quero começar por subscrever, quase na íntegra, as onze teses sobre o marxismo light destes senhores. FM
2003-09-11
 
Apresentação
Somos três antigos colegas do curso de Física do Técnico (a famosa "esquerda LEFT"). Temos várias outras coisas em comum: o gosto por certa música brasileira; o sermos de esquerda; o pensarmos pelas nossas cabeças, independentemente e, no entanto, estarmos sempre (pelo menos, até hoje!) de acordo nas questões fundamentais, aquelas em que as águas se separam. De um modo geral, vemos o mundo e a História de forma semelhante, e temos as mesmas expectativas. Não quer isto dizer que concordemos em tudo, nem de perto nem de longe!

Desde que nos separámos, no fim dos nossos cursos, tendo cada um acabado por ir para um país diferente, mantivemos sempre o contacto. Trocávamos diversos emails com opiniões sobre diferentes assuntos. Umas vezes os emails eram curtos e sarcásticos. Outras, eram longos e cheios de argumentação. A maior parte das vezes, com discussões originais sobre assuntos de interesse comum e corrente. Achámos então que não seria má ideia partilhar estas discussões com quem nos quiser ler (e participar nestas mesmas discussões). Foi assim que surgiu a ideia de fazermos um blogue.

Ainda não sabemos muito bem no que nos vamos meter. Não queremos prometer entradas novas a toda a hora; vamos tentar, no entanto, ser mais regulares nas actualizações do que o Gato Fedorento (em Agosto) e o Manuel Deniz Silva (o ano todo). E isto porque somos três rapazes ocupados. O André vive e trabalha em Inglaterra. O Rui vive e trabalha em Madrid. O Filipe presentemente encontra-se em Lisboa (é o único que, estritamente, não é um "estrangeiro no momento", embora possa vir a sê-lo de novo em breve; até há pouco tempo, estava em Nova Iorque).

"Estrangeiros no Momento" é um blogue de esquerda plural e desalinhada. "Estrangeiros no Momento", porque é feito por pessoas que estão, ou estiveram até há muito pouco tempo, fora do seu país. Principalmente, "Estrangeiros no Momento" porque é feito por pessoas que, fazendo necessariamente parte da época histórica em que vivemos, não se sentem à vontade nela. Não se identificam minimamente com os políticos no poder, em Portugal e na maioria dos países. Não se sentem bem num mundo em que a riqueza e o poder estão concentrados numa ínfima minoria. Num mundo em que cada vez mais se alarga o fosso entre ricos e pobres. Num mundo dominado por uma superpotência preocupada somente com os seus próprios interesses e que dita as suas leis a seu bel-prazer, sem se preocupar com o resto. Num mundo minado por conflitos que parecem não ter fim. Num mundo ameaçado globalmente pelo terrorismo em larga escala.

"Estrangeiros no Momento" é um blogue de pessoas que querem alterar o actual estado das coisas. Caros leitores, sejam bem-vindos. Contamos convosco.

Comentários, críticas e sugestões serão apreciados. Enviem-nos para estrangeiros@mail.pt

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