Estrangeiros no momento
2003-09-13
 
Comboios (I)
Uma estadia recente em Coimbra, mas pernoitando perto de Aveiro, levou-me a utilizar os comboios regionais da CP. Digo "da CP", mas afinal não tenho tanto a certeza. Nos apeadeiros, e mesmo na estação de Estarreja, não é possível comprar-se um bilhete para Coimbra, ou para qualquer outro destino que não entre Aveiro e Porto! (Em Estarreja há guichets de venda, só que têm um horário de funcionamento muito restrito, incompatível com quem tenha de estar em Coimbra às 9:30.)
Ainda em Estarreja, existem uns postos de venda automática, semelhantes aos que já vi em outros países europeus. Conforme referi, só se podem comprar bilhetes para destinos entre Aveiro e Porto. Outros destinos têm de ser comprados dentro do comboio, sendo impossível ao utente saber o preço do seu bilhete antes de iniciar a viagem!
Estimei o preço com base no do percurso Estarreja-Porto, disponível na máquina. Para minha surpresa, era cerca do dobro (1.70 e 3.30 euros)... Inquiri o cobrador, que me explicou que, embora fosse o mesmíssimo comboio, a linha Aveiro-Coimbra tinha uma concessão e a linha Aveiro-Porto tinha outra. Por isso o bilhete Estarreja-Coimbra era tão mais caro, por isso (disse-me ele, mas isto para mim é incompreensível!) em Estarreja só se podia comprar bilhetes para o troço Aveiro-Porto.
Na Holanda e na Itália, para citar dois exemplos que conheço, é possível comprar bilhetes para qualquer ponto do país nas máquinas de venda automática! Não vejo por que razão tal não é possível em Portugal. Se não for possível instalar essas máquinas em todos os apeadeiros, a CP deveria, pelo menos, afixar informação (quem chega ao apeadeiro não tem informação absolutamente nenhuma!) sobre bilhetes e respectivos preços, para que um viajante não habitual, português ou estrangeiro, possa saber como comprar bilhetes e prevenir-se com dinheiro antes de iniciar a viagem. Será pedir muito? Aparentemente é. Comparado com os países que referi, o nosso serviço de comboios é terceiro-mundista. Depois há quem se admire de cada vez menos as pessoas usarem o comboio, e há quem use isso como pretexto para cada vez a extensão da rede ferroviária ser menor. FM


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