Estrangeiros no momento
2003-09-26
 
Comes e Bebes
Antes do jogo, encontrei-me com dois AAs (antigos alunos, o que estão a pensar?) da LEFT; um de Évora e um de Benavente, agora a viverem em Lisboa. Nem tive tempo de reparar nas barraquinhas à volta do estádio. Ia preocupado com a sua possível extinção, e o rude golpe que isso representaria para a cultura popular portuguesa.
Com efeito, dentro do estádio a comida é enjoativamente "para toda a família" e "politicamente correcta". Como orgulhosamente anunciava nos jornais, aquando da inauguração, José Eduardo, um ex-jogador e ex-comentador da RTP de fato e gravata actualmente responsável pelo abastecimento no estádio, há "águas, sumos, cerveja sem álcool, cafés, bolos, sandes, hambúrgueres, pizzas..." (aaargh!) A americanização da comida chegou aos estádios de futebol.
À saída do jogo, passo pelas barraquinhas de comes e bebes. Pelo negócio que estavam a fazer (estavam todas cheias!), vejo que, apesar dos esforços em contrário do José Eduardo e dos responsáveis do estádio, a bela cultura gastronómica portuguesa está salva, pelo menos por aqui. Vendiam-se bifanas, entremeadas (ouviste, André?), couratos (o elemento mais representantivo!), feitos na altura, sempre a saírem e a deixarem o "cheiro a estádio", o "cheiro a ida à bola" que o velho Alvalade tinha e que, espero, este continue a ter por muitos anos. Havia, além disso, imperiais frequinhas e vinho a martelo vendido a copo. Havia farturas e churros. Havia toalhas de plástico de cores berrantes, mas para mim mais bonitas do que os azulejos do Taveira. Havia povo em festa, ainda mais porque o Sporting tinha ganho.
Também isto faz parte da beleza do futebol.
Tinha saudades deste ambiente que me recordou a minha infância, quando, aí sim, ia ao velhinho Alvalade com regularidade. FM

Nota: como é óbvio, sou a favor da proibição da venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios de futebol, por uma questão de segurança pública. Agora, nada há de errado em vendê-las fora do estádio, até porque a entrada é bem controlada, os espectadores são revistados e os indivíduos alcoolizados são barrados. Antes que a direcção do DN inicie mais uma das suas campanhas "cívicas", eu apelo: deixem estar as barraquinhas, tragam a polícia para os estádios (estava lá, eu vi-a, e muito bem) e não estraguem com leis restritivas a festa do futebol.

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