Estrangeiros no momento
2003-10-22
 
Amerika
Um aspecto muito curioso do Dancer In The Dark de que nunca vi nenhum crítico de cinema falar, é o facto de ser uma releitura óbvia do America do Kafka (Selma não é checa por acaso). Se calhar os críticos de cinema lêem pouco. Ou talvez não, o América é um livro obscuro e inacabado, tão duro, tão angustiante... (E não faz parte do template de referencias-literárias-obrigatórias-para-um-crítico-de-algibeira como O Processo ou a Metamorfose).
Não que me esteja a vangloriar de uma particular clarividencia, simplesmente reperarei porque li o América (quase por acaso, há muitos anos, numa edição de bolso das antigas da Europa-América [bolas, até o nome da editora é premonitório... pero que las hay, hay]).
A ligação entre os dois é tão forte que ao ver o filme quase uma década depois, com o livro esquecido num recanto poeirento da memória, saltou logo à ideia... Kafka, Kafka, Kafka. Se não tivesse lido não teria reparado, o que não faria diferença absolutamente nenhuma, aparte de um ligeiro aconchego ao ego.

O solo final no cadafalso a cantar "new world" é o apogeu da carreira da Bjork, tudo o que veio antes ou depois se torna irrelevante. Esperemos que não o seja para o Lars von Trier.

O Dogsville... bem, só me resta roer de inveja porque aqui só estreia em Fevereiro, a não ser Filipe e Rui, que vocês o queiram ir rever lá por alturas do natal, como fizemos com este há 3 anos, na altura era eu que estava a ver pela segunda vez.
Um pouco de simetria é sempre reconfortante para um físico. AG

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