Estrangeiros no momento
2003-10-13
 
Carlos do Carmo: o concerto
O concerto foi mais uma homenagem do que outra coisa, com as presenças de Jorge Sampaio no camarote presidencial e, no palco, de António Sala e Pedro Santana Lopes. Se Carlos do Carmo frequentemente se dirigia ao "seu presidente", pessoa de quem "gostava muito", foi notória a sua incomodidade ao partilhar o palco com Sala e Santana, que cumprimentou algo friamente, mas que lhe vinham entregar prémios de carreira e da Cidade de Lisboa.
Já de mau gosto foi o recurso a depoimentos gravados e exibidos num écran gigante. Tais depoimentos (e mesmo a atribuição dos tais prémios) justificar-se-iam mais num programa televisivo do que num concerto. Quiseram transformar o Carlos do Carmo numa unanimidade nacional, depois dos conturbados anos 70 em que cantava Ary dos Santos e Sílvio Rodriguez. Pessoalmente, preferia que fosse uma unanimidade menos unânime. A imagem que transparecia era a de um senhor muito respeitado e que hoje não mete medo a ninguém. Mas, afinal, o fado nunca meteu medo...
Falando de música, o concerto teve momentos muito bons, devidos principalmente à  presença da Sinfonieta de Lisboa e do guitarrista Ricardo Rocha, que mereciam mais atenção numa noite cujo principal motivo acabou por não ser a música.
Uma nota final, muito simpática, para o vinho do Porto, à discrição, para todos os espectadores, VIPs ou não, com bilhetes de plateia, camarote ou geral, um pormenor democrático que muito me agradou (para alguma coisa serviu tanto patrocinador), e que me fez sentir bem em Portugal. (Em Nova Iorque, no Lincoln Center ou no Madison Square Garden, a bebida também circula, só que paga a peso de ouro.) Na festa do Carlos do Carmo, e para além do Carlos do Carmo, enfim alguma coisa de esquerda! FM

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