Estrangeiros no momento
2003-10-21
 
Dancer in the Dark
Revi ontem, na SIC Radical, o excelente filme de Lars von Trier, que tinha visto com o André e o Rui, numa das últimas vezes em que estivemos todos juntos.
Não tenho pinta de crítico de cinema e nem gosto de me meter em assuntos que não domino bem. Mas aquele é um filme admirável. Deixando de lado os aspectos técnicos da realização, destaco a notável interpretação da Bjork, que não será necessariamente uma grande actriz mas que tem aqui um papel feito à medida para si. E a mensagem do filme, acima de tudo um manifesto anti-pena de morte. E uma boa mensagem para todos aqueles, imigrantes e não só, que vêem a América como um paraíso na terra. É claro que tudo o que se passa no filme poder-se-ia passar noutros países, as esses, justamente, não são vistos como paraísos...
Uma imagem fortíssima: após a personagem de Bjork, uma imigrante checa nos EUA, ter sido roubada pelo seu próprio vizinho (que lhe tirou todo o dinheiro de que dispunha, e que guardava para curar o filho de uma progressiva perda de visão hereditária, de que ela própria sofria), vê-se a imagem da casa e um poste com a bandeira americana. Afinal, o vizinho de Bjork era um polícia e um cidadão exemplar. Na altura em que o filme foi exibido, após o 11 de Setembro, viam-se bandeiras em praticamente todas as casas e carros, e quem não as usasse era olhado como um "mau patriota". As mensagens "God Bless America" vinham até nos recibos de supermercado!
São estes os "bons", os polícias do mundo. É para isto que milhões de desgraçados anseiam com este país?
O filme repete, no Sábado e no Domingo, também na SIC Radical. Recomendo vivamente... e tenho de ignorar os conselhos do João Miguel Tavares, fiar-me antes na direita libertária do Eurico de Barros e ir ver o Dogville. FM

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