Estrangeiros no momento
2003-10-07
 
Heil Portas! e outras considerações sobre a imprensa (ou resposta ao João Miguel Tavares)
Serve-se o João Miguel Tavares de uma foto do Público, no congresso do PP, em que Paulo Portas é focado de uma forma que sugere que estaria a fazer a saudação nazi, para insinuar, num apontamento na coluna “Geração de 70” do DN, que a imprensa portuguesa é dominada pela esquerda.
Esclareça-se primeiro que, sem querermos com isto insinuar que o seja, Paulo Portas quando discursa para um público de entusiastas tem, de facto, tiques de Dr. Estranhoamor, ou seja, uma tendência danada para fazer o gesto equivalente à saudação nazi, mesmo que seja só para mandar calar os apoiantes mais barulhentos. Lembro-me de, no dia da desgraça de 16 de Março de 2002, estar com um grupo de estudantes portugueses no bar do Sport Clube Português de Newark (talvez o Ivan também lá estivesse), a assistirmos à divulgação dos resultados eleitorais via RTPi, enquanto bebíamos uns bagaços para não pensarmos mais no que aí vinha. (Como o João bem sabe, sem a cachaça ninguém segura esse rojão, e a coisa aqui está preta. Ou ficou, a partir desse dia.) Víamos o Paulinho, todo ufano, a erguer o braço direito, de mão aberta, para saudar e mandar calar os eufóricos apoiantes enquanto dizia que o CDS regressaria ao Governo, 20 anos depois. (Se houvesse realmente um jornal de esquerda em Portugal, teria publicado uma fotografia do Paulinho nesta pose, na primeira página, no dia a seguir às eleições.) A verdade é que, se se tirar uma fotografia de Paulo Portas quando este estiver a discursar para os militantes, há uma enorme probabilidade de o apanhar a fazer o tal gesto.
Dito isto, há que acrescentar que o João, habitualmente tão equilibrado e sensato a escrever sobre outros assuntos (por exemplo, escreve sobre todos os tipos e variedades de música brasileira), infelizmente nas suas análises políticas é bastante primário. Primeiro, decidiu que queria passar a ser de direita a seguir aos atentados ao World Trade Center. Agora, decide que a imprensa portuguesa é de esquerda baseado numa fotografia. João, não se fazem modelos baseados só num facto... Antes de passares a generalizações infundadas, e se olhasses para o jornal onde escreves? Tens coragem de dizer que o DN, hoje, é de esquerda? (Oportunamente, e baseado em muitos factos, eu demonstrarei que não.)
Finalmente, só uma fotografia não prova nada, pois podem arranjar-se, mesmo no Público (não tão facilmente como no DN) muitos contraexemplos. De resto, uma fotografia satírica do Paulo Portas não é necessariamente um indício de esquerdismo do respectivo autor, que pode perfeitamente ser um fã do Pacheco Pereira. FM


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