Estrangeiros no momento
2003-11-07
 
7 de Novembro de 1917
Como analisar a Revolução Bolchevista, 86 anos depois?
Muito já terá sido escrito e dito sobre este assunto. Por minha parte, adolescente que era aquando da queda do Muro de Berlim, já não devo ter ilusões. A História está contada e os factos são conhecidos. Não vou pôr-me a recordar as peripécias da revolução e nem a esperança que esta trouxe a muita gente (sugiro, para tal, uma revisitação do filme Reds de Warren Beatty). Tão-pouco reverei o estalinismo e os seus crimes, pois hoje em dia é tópico de discussão comum, com a qual eu me congratulo e na qual participo.
Apenas direi, em jeito de balanço, duas coisas que são frequentemente esquecidas, mas não o podem ser numa análise honesta. A primeira é que a URSS foi decisiva para a derrota de Hitler. A segunda é que foi o medo do comunismo no Ocidente que forçou um notável desenvolvimento social e consequente melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Estado-providência, segurança social, sindicatos livres, férias remuneradas, teriam sido muito mais difíceis de conseguir se não fosse o “medo dos vermelhos” por parte do patronato. Numa altura em que, em Portugal e em grande parte do resto do mundo, se observa um ataque sem paralelo a estes direitos (não ao que neles funcione mal, mas aos direitos em si), numa atitude de desforra da História por parte de um patronato que condescendeu mas nunca os aceitou, vale a pena pensar nisto. É uma consequência natural de só haver uma superpotência, sem ninguém que lhe faça frente, governada por gente que ainda não se conformou com o ter perdido a Guerra Civil.
Vale a pena pensar na falta que um “perigo vermelho” faz. FM


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