Estrangeiros no momento
2003-11-06
 
As propinas (I): a questão da qualidade
Vou ao longo dos próximos dias abordar os diferentes aspectos do problema das propinas.
A minha posição geral é a mesma do João, com algumas diferenças em pormenores que, por agora, não são significativos (pode ser que o venham a ser no futuro). Parece-me no entanto que o João está a adiar a sua resposta ao problema. João, na hipótese de as Universidades portuguesas serem tão boas como tu e eu desejaríamos, aceitarias que se pagassem propinas ou não?
De qualquer maneira, parece-me ilegítimo que se peça aos estudantes e às suas famílias para pagarem mais exactamente pelo mesmo produto, só que "requentado". Até porque a experiência destes anos demonstra que as propinas não se traduzem numa melhoria da qualidade do ensino. A única consequência visível das propinas tem sido o continuado desinvestimento do Estado, pelo menos nos Governos PSD.
E é isso que me leva a duvidar seriamente das intenções do Governo quando afirma que este aumento é "em nome da qualidade".
Podem chamar-nos (a mim e ao João) "americanizados", mas a verdade é que nas Universidades americanas em geral há uma qualidade que nas Universidades portuguesas não há. Regressando ao debate de há duas semanas na RTP1, deu-me pilhas de raiva ver o Prof. Barata Moura afirmar despreocupadamente que as Universidades portuguesas têm qualidade. O que é verdade é que, conforme afirmou o Prof. Tribolet, as Universidades portuguesas são terrivelmente ineficientes. São um autêntico desperdício de recursos!
No referido debate, concordei com quase todo o diagnóstico do Prof. Tribolet, mas discordo drasticamente da receita por ele proposta para resolver os problemas. O Prof. Tribolet era a favor das propinas, mas todos os seus argumentos eram contra! Ou será que ele acha que é a dizer que as Universidades portuguesas desperdiçam recursos que ele convence seja quem for a pôr lá dinheiro?
As Universidades americanas são mais exigentes do que as portuguesas (e isto não tem nada a ver com "exames mais difíceis", que é o que a cultura livresca indígena entende por "exigência"). Terá isto a ver com o facto de os seus alunos pagarem propinas elevadas, apesar dos apoios referidos pelo João? É possível que sim, em parte, mas de certeza que não explica tudo. Voltarei a este assunto da qualidade do ensino, uma vez que conheço por dentro os dois sistemas.
Por outro lado, gostaria francamente de ver os estudantes pedirem mais qualidade. A verdade é que, com o actual sistema, não podem pedir mais qualidade e ser contra uma lei de prescrições. A qualidade do ensino também se traduz na exigência, e não é por isso compatível com o insucesso escolar sistemático. Mas a atitude dos alunos face ao Ensino também ficará para outro dia. FM

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