Estrangeiros no momento
2003-11-17
 
A praga dos directos
Preparava-me para ver o concerto do sensacional Compay Segundo, sexta à noite, na RTP1.
A transmissão estava anunciada para a 1:30. Sintonizei a RTP1 era 1:25. O concerto já tinha começado... À 1:32 houve um intervalo de dez minutos. Da transmissão original, de uma hora, acabei por assistir somente a pouco mais de metade.
Histórias como esta ocorrem todos os dias e os portugueses parecem aceitá-las muito bem, de tal forma estão habituados a elas. Eu não estou habituado e nem as aceito. Desde há muito que defendo, e já o escrevi no Blog de Esquerda, que o principal problema, a pior característica da televisão portuguesa é o total incumprimento dos horários. A justificação para tal não é somente os compromissos publicitários, como eu julguei por algum tempo (por comparação com os pontuais canais por cabo). Nos EUA não há menos publicidade na televisão em sinal aberto (bem pelo contrário), e os horários são cumpridos. O problema em Portugal surgiu desde que se convencionou que todos os programas transmitidos em directo (não só os eventos desportivos, para os quais ainda pode haver alguma justificação) começam e não têm hora para acabar. Tal acontece particularmente com (todos) os telejornais, e é uma consequência directa da tabloidização dos mesmos. E é ver-se, nos três canais generalistas, com começo à hora marcada (oito da noite) sucederem-se os directos a propósito dos motivos mais absurdos, as gravações das novelas da TVI que foram assombradas, o "povo" (que na sua maioria votou no actual governo ou não votou) sempre a ser ouvido e a queixar-se do mesmo, os comentadores, as mesmas reportagens que já passaram à hora do almoço, o resumo dos mesmos jogos de futebol. Não importa a que horas o telejornal acabe: de seguida seguem-se mais directos, seja da "Operação Triunfo", dos "Ídolos" ou do "Big Brother". Entrevistam-se os concorrentes e respectivas famílias. E ninguém se importa a que horas dão as telenovelas. Nem as séries ou os filmes ou concertos, atirados para a madrugada. Eu até já nem me importaria com isso (felizmente tenho videogravador), desde que esses programas dessem... à hora marcada! Só que isso, nem as próprias estações de televisão sabem prever: é à hora que calhar! Geralmente muito mais tarde do que o previsto, mas às vezes há programas suprimidos para compensar a larga duração dos "directos", e acaba por acontecer o que aconteceu com o concerto do Compay...
Finalmente parece haver um grupo de espectadores sensíveis a esta praga. A credibilização da informação televisiva e o respeito pelos horários da televisão em Portugal estão directamente relacionados e formam uma causa a defender. FM


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