Estrangeiros no momento
2003-11-13
 
A transição do DN (I)
Quem usava e abusava para lá dos limites do minimamente decente deste tipo de "argumentação" ("quem não está comigo é antiamericano e antisemita") era este senhor, de seu nome António RF (Rabino Fundamentalista - quem achar um possí­vel significado para o A, comunique-nos).
ARF foi director-adjunto do DN desde 1996 até ao passado Domingo. Conforme se poderão recordar, durante a administração Clinton ARF começou por atacar fortemente a NATO e a sua intervenção no Kosovo. Alcunhou a NATO de "maior esquadrão da morte do planeta" e classificou a referida intervenção (apoiada pelos governos europeus, na sua generalidade de esquerda, e fortemente apoiada pela já social-democrata/ecologista Alemanha, como se recordam) como uma tentativa de vingar a "humilhante derrota de Hitler nos Balcãs".
Entretanto, ainda antes do nazi-hebraico Ariel Sharon ser eleito Primeiro-Ministro de Israel, aquando da provocatória visita à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém que originou a Intifada de Al-Aqsa, já contava, como posteriormente sempre contou, com o apoio incondicional de ARF, o que seria um caso raro na imprensa ocidental e único na imprensa europeia (supostamente) de "referência".
A grande viragem do DN foi "assumida" no dia 12 de Setembro de 2001. Bastava ver as primeiras páginas dos jornais: enquanto o "Público" intitulava o 11 de Setembro, qual "The New York Times", como "o atentado que mudou o mundo", o que constituiu um bom sumário para a posteridade daquele dia horrível, válido ainda hoje, o DN escrevia, simplesmente, "Guerra" em letras duplamente garrafais (ocupavam duas páginas), qual "New York Post". ARF, a partir daí, definitivamente "pôs as manguinhas de fora" e os editoriais do DN tornaram-se insuportáveis para qualquer pessoa equilibrada. O que era "o maior esquadrão de morte do mundo" sob a administração Clinton tornou-se, sob a administração Bush, uma máquina "vingadora" e "libertadora".
O que mais me surpreendeu em ARF foi o facto de ter sido nomeado durante um Governo PS (que, pelos vistos, não sabia escolher os seus boys assim tão bem) e a relativa complacência com que os seus artigos, alguns deles peças de puro fascismo (estou a lembrar-me de, a 10 de Junho de 2002, se ter referido ao "Dia da Raça"), eram aceites. A malta de esquerda preferia atirar-se ao Luís Delgado que, ao contrário de ARF, nunca escondeu minimamente o que defendia e que escrevia artigos que, às vezes de tão risíveis, não eram para ser levados a sério.
A presença de ARF na direcção do DN representou - estou certo disso - uma grande quebra nas vendas do jornal e a recusa do mesmo por parte dos leitores habituados a Ferreira Fernandes. A "crise" e a "recessão" não podem servir de justificação, pois não afectaram a concorrência. Terá sido por este motivo que ARF foi afastado do DN. O que, em nome do pluralismo, e independentemente do que a nova direcção venha a fazer, só é de saudar. FM

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