Estrangeiros no momento
2003-12-15
 
Alegre ma non troppo
A captura de um ditador genocida e o facto de ele ser obrigado a responder perante um tribunal pelos seus crimes são motivo de satisfação para qualquer pessoa decente.
Dito isto, nem este facto altera a minha convicção de que esta guerra é ilegítima, nem eu deixo de sentir uma certa apreensão por certas consequências do ocorrido.
Os defensores da guerra que são sérios e não meros oportunistas (destes já muito foi dito) estão plenamente convencidos da sua superioridade moral, desprezando as razões de quem não vê neste processo uma simples guerra dos bons contra os maus. Curiosamente, noutras questões acusam a esquerda deste tipo de procedimento. Eu não vou nessa conversa. Os vencedores desta guerra não são bons. Podem ser melhores que Saddam (são, sem dúvida), mas não o são o suficiente para que eu os apoie nesta guerra. Mentiram deliberadamente ao resto do mundo acerca das motivações desta guerra e tal não pode ser esquecido. Agora, que capturaram um adversário, afinal, fraquíssimo, aparecem como grandes libertadores. Mas não nos podemos esquecer de que foram coniventes com esse sanguinário, e que voltariam a sê-lo se fosse preciso.
A América, especialmente sob as administrações republicanas, não tem nada de se orgulhar no que diga respeito a relações privilegiadas com ditadores. É uma destas administrações, uma das piores, quer interna, quer externamente, que está no poder, e que indubitavelmente sai fortalecida com esta captura. É o líder que, em conjunto com o seu aliado Ariel Sharon, maior perigo representa para a paz mundial que sai fortalecido. Não sou só eu que assim penso: são os europeus.
Por isso, não sou hipócrita: apesar de ter ficado genuinamente feliz (pelo povo iraquiano) por esta captura, fico seriamente apreensivo com as consequências que possa vir a ter no mundo.
Eu só abro champanhe quando Bush perder. FM

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