Estrangeiros no momento
2003-12-09
 
Buñuel e Lynch
Rui, infelizmente sou um dos que tentou mas nunca se converteu a Lynch. Descobri-o com Blue Velvet, e ainda mais com Dune, admirei Erarserhead, mas perdi a paciência com Twin Peaks e Wild at Heart. Lost Highway recuperou-me um pouco, mas não o suficiente para ir ver Mulholland Drive... em todo o caso a falha será minha.
Mas compará-lo a Buñuel, eu acho um equívoco. A verdade é que o surrealismo de Buñuel, como o de Dali, era uma forma de traduzir a reacção visceral ao conservadorismo, catolicismo e machismo espanhol tradicional. É uma reacção contra algo que, no entanto, é inevitável, e por isso o fim trágico. Há sempre uma relação amor-ódio. Para mim a melhor súmula da sua obra é um dos últimos filme, Tristana.
Tristana (Catherine Deneuve) é a protegida de Don Lope (Fernando Rey), um velho aristocrata que, na verdade, a deseja. Ela não o suporta, e prefere um jovem, belo mas pobre, com quem foge. No entanto, quando as realidades da vida se fazem sentir, ela volta e acaba por casar com o velho aristocrata. E Don Lope, obcecado e vergado pelos anos, aceita a relação extramarital. Parece um mero folhetim, mas Buñuel fá-lo de uma forma perfeita, como hoje Almodovar faz as suas histórias. Com o tempo Buñuel descartou os efeitos, para ir ao essencial. Já Lynch, para mim, não só abusa dos efeitos, como não tem uma base tão intensa em que assentar as suas histórias.
Se calhar estou a ser muito duro, tenho de ver mais filmes do Lynch! NA

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