Estrangeiros no momento
2003-12-08
 
A camarada Odete na revista
Deu muito que falar a participação de Odete Santos numa revista do Parque Mayer, muito por causa de um texto (aquilo nem era um texto, era uma frase) do Daniel Oliveira.
Creio que o Daniel põe a questão de uma forma desapropriada. Não pode um político ter uma carreira de espectáculo, e vice-versa? Não terão os artistas direito a ocuparem cargos políticos? (A Odete não é nenhum Schwarzenegger ou Reagan, porém.) Muitos artistas são aliás apoiantes regulares do Bloco de Esquerda e participantes nas suas campanhas. Conseguirá o Daniel garantir que nunca um destes artistas ocupará um dia um cargo político pelo Bloco? (Bastando para tal ocupar um lugar nas listas, devido aos conhecidos esquemas de rotatividade.)
Também não concordo com as críticas ao texto do Daniel escritas por Pacheco Pereira (que, armado em Pipi, não permite que se façam links) ou por Ana Sá Lopes. Não creio que haja um mínimo de machismo ou de misoginia no texto do Daniel; fosse Bernardino Soares ou Jerónimo de Sousa a participar no teatro e a sua reacção teria sido provavelmente a mesma. O que motiva o Daniel é uma muito óbvia (e não só de agora) obsessão anti-PCP.
O que é pena, pois tal cegueira leva-o a atirar ao lado de um alvo bastante fácil. Com efeito, acho bastante infeliz a participação de um membro do PCP numa revista (e não é isto que é enfatizado pelo Daniel). Acho muito infeliz que o secretário-geral do PCP tenha ido à revista. E isto porque a revista e o Parque Mayer são géneros decadentes, feitos na sua esmagadora maioria por indivíduos vendidos a Santana Lopes. Eu aposto que nem naquela, nem em qualquer outra revista há uma rábula que seja ao actual Presidente da Câmara de Lisboa. Odete Santos e o Estado-Maior do PCP, ao participarem nisso, estão a aceitar a política camarária para o Parque Mayer. A ida de Carlos Carvalhas à revista pode ser vista como o início do apoio do PCP à candidatura presidencial de Santana Lopes. Se Odete Santos queria fazer teatro (algo que me parece natural, dadas as suas evidentes capacidades dramáticas), que não fizesse teatro reaccionário, que é o que é a revista hoje. Se não arranjasse melhor, que ficasse lá por Setúbal. Alguns desses actores também se venderam, mas ao menos foi a António Guterres. FM

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