Estrangeiros no momento
2003-12-18
 
Champanhe para Bush
Foi mal recebido o meu texto "alegre, ma non troppo".
O Zé Mário "queixou-se" de que eu me tinha "queixado" de que ele e o Manel tinham "aberto champanhe" pela captura de Saddam.
A Ana Sá Lopes insinuou que eu era de "esquerda radical" (olhe que não, Ana, olhe que não). O João Miguel afirmou que lhe custava ler "num blog respeitável que esta captura é de lamentar se ela promover a reeleição de Bush". (Não sei a que blogue se refere o João aqui; exceptuando talvez a respeitabilidade, poderia ser a este, pelo menos no que à minha opinião diz respeito. Ou seja, enfio esta carapuça.)
Continua o João: "É imoral odiar Bush e Saddam da mesma maneira". E digo eu: totalmente de acordo. Por muito mau que Bush seja, nenhum ditador pode ser comparado a ele! Acrescento mais: com todas as suas misérias e desigualdades, o seu conservadorismo e o seu (falso) moralismo, com toda a sua falta de liberdades, não se pode comparar a América a nenhum país árabe. Entendi o 11 de Setembro de 2001 como um ataque a toda uma civilização (a ocidental), a mais livre que a humanidade alguma vez conheceu. Um ataque perpetrado por fundamentalistas que nunca mereceram a minha menor simpatia.
Sendo assim, é claro que fico muito contente com a captura de Saddam. Foi assim que comecei o texto "alegre, ma non troppo". Achei que isto fosse óbvio, mas pelos vistos não é. Estou a afirmá-lo mais uma vez.
Agora, julgo que também é evidente que esta captura não é indissociável da circunstância política em que ocorreu. E creio que ocorreu em muito má altura. Vem influenciar o processo eleitoral norte-americano, que se encontra numa fase crítica, a meu ver da pior maneira. Como não sou daqueles para quem democratas e republicanos (ou PS e PSD) são exactamente a mesma coisa (embora ache que deveriam ser muito mais diferentes do que são, por culpa dos democratas e do PS), fico muito apreensivo com isto. Não consigo separar este facto da captura de Saddam; por isso, não estou (globalmente) contente, e não "abro champanhe". Preferiria que tudo tivesse acontecido de outra maneira. Dão-me licença?
Uma nota final para o champanhe: aceito perfeitamente que o vão abrindo, bom proveito vos faça, principalmente lá para os lados de França, onde é autêntico e porventura mais corriqueiro e barato do que aqui. O Bush é que só bebe Coca-Cola... FM

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