Estrangeiros no momento
2004-01-29
 
A DEMOKRACIA III - Que saudade...

RF
 
Senator Kerry Says ( A DEMOKRACIA II)

MR. RUSSERT: But won’t you be branded another Massachusetts Ted Kennedy liberal?

SEN. KERRY: I think, Tim, as people get to know me in the course of this, they’ll know the things that I have fought for and the things I stand for. I was a prosecutor. I’ve sent people to jail for the rest of their life. I’m opposed to the death penalty in the criminal justice system because I think it’s applied unfairly, as even Republican governors have determined, and because I’m for a worse punishment. I think it is worse to take somebody and put them in a small cell for the rest of their life, deprived of their freedom, never to be paroled. Now, I think that’s tougher. Let me just finish.

PS: clique aqui quem quiser ler mais coisas inteligentes, pelo menos terão a confiança de que não haverá dito nada mais estúpido... RF
 
A DEMOKRACIA
Fui advogado de acusação e mandei gente para a cadeia para toda a vida. (John Kerry)
Esta frase maravilhosa foi dita com orgulho pelo candidato das primárias democratas norte-americanas melhor situado, e portanto pelo mais provável oponente a Bush Júnior nas próximas eleições para Presidente dos Estados Unidos.
Ou seja, que Bush Júnior está creando escola...
A nossa "esperança" é que semelhante boçalidade foi dita somente para conquistar os votos da maioria ignorante norte-americana. Não é possível que o individúo realmente esteja orgulhoso de semelhante coisa, ou é?
E depois alguém tem dúvida que não devemos ter medo dos EUA e dos americanos...
Supostamente a frase se justifica num contexto de afirmação de masculinidade branca adulta de um "demócrata" de Massachusets, o que ao parecer nos Estados Unidos é sinônimo de liberal, que é o mesmo que dizer, esquerdista.
Ou seja, que afinal o homem disse isso precisamente porque é liberal e de esquerda?
É impressão minha ou o mundo se está realmente colocando mais de ponta cabeça que nunca? RF
2004-01-28
 
Outras duas sugestões...


... a todos os fans do quinteto de Dave Holland. André, o Dave Holland que recomendaste é brilhante.
Se houve algo que Holland aprendeu com o seu antigo patrão, Miles Davis, foi a escolher grandes jovens músicos. A groove hipnótica e circular do contrabaixo de Holland é reforçada pela agitação constante da bateria de Billy Kilson. E sobre o tapete sonoro criado pelo vibrafone de Steve Nelson, desenvolvem-se os solos graves e ruminativos do trombone de Robin Eubanks e o virtuosismo saxofonístico de Chris Potter. Quando vi o grupo de Holland na Gulbenkian, o saxofonista ainda era o penetrante alto Steve Wilson, e eu devo dizer que o preferia. Pottter é um virtuoso, mas Wilson era um mestre do som, e o fan de jazz admira o virtuosismo mas ama o som. Aliás Holland sempre se deu bem com saxofonistas altos fortes, como Steve Coleman, Eric Pearson, Steve Wilson, ou, na sua Big Band, Antonio Hart.

E o som deste grupo de Dave Holland vem direitinho dos dois discos de Jackie McLean que eu sugiro! MacLean, jovem sax alto que idolizara Charlie Parker, e o imitara de tal forma que Parker o sugeria como seu substituto, desenvolvera entretanto um som penetrante, duro e cortante, que inspira hoje todos os altos que tocaram com Holland. McLean, sempre explorador, abandonara o bebop puro, e procurou novas sonoridades. No início dos anos 60, gravou estas duas preciosidades. Gracham Moncur III está no trombone, Bobby Hutcherson no vibrafone. Em "One Step Beyond" está Eddie Khan no baixo e o jovem Tony Williams na bateria, ainda antes de se juntar a Miles Davis. Em "Destination Out!" temos Larry Ridley no baixo e o brilhante Roy Haynes na bateria. As composições inspiradas, o ambiente modal, hipnótico, exploratório, o espaço dado pelo uso do vibrafone em vez do piano, a agitação rítmica dos bateristas, as ruminações do trombone e o sax alto sufuroso de McLean tornam estes albuns obras primas. Eu diria que os elementos mais fracos são os baixos. Se Holand já fosse músico nesta época, teria aqui o seu ambiente natural. NA
 
A propósito de Neo-realismo
"I Soliti Ignoti" é o título do filme neo-realista preferido deste suburbano. Bem, na verdade não é um filme neo-realista, mas é mais realista que qualquer filme desse género. I Soliti Ignoti é uma comédia italiana dos anos 50, de Mario Monicelli, e é uma obra prima absoluta. Vittorio Gassman e Marcello Mastroianni são dois pequenos aldrabões que vivem de esquemas na Itália do pós-guerra. Quando descobrem que um velho ladrão, que passa uma temporada na prisão, tem um esquema para um assalto, "roubam" o plano e decidem reunir um bando. A partir daí as situações hilariantes, mas realistas, sucedem-se. Como especialista em cofres vão buscar Totó, que dá uma aula de arrombamento delirante. Para assaltar o negócio, decidem fazer um tunel a partir da casa ao lado, habitada por duas velhotas e uma criada. Marcello tem de seduzir a criada (a jovem Claudia Cardinalle) para ter acesso ao apartamento, mas acaba seduzido. Finalmente, quando levam o esquema avante, os malandros furam a parede que dá ... para a cozinha do mesmo apartamento. No fim contentam-se em comer o spaghetti do dia anterior e ir procurar ... trabalho. A galeria de personagens deste filme delicioso é simplesmente fantástica. Filmado em exteriores, entre o caos das velhas ruas italianas e os suburbios do pós guerra, com uma fotografia e diálogos perfeitos, é um filme para a ilha deserta NA
2004-01-27
 
O anúncio
Correspondendo ao pedido da MoveOn, acrescentei no cabeçalho a ligação ao anúncio censurado pela CBS. Se o leitor quiser fazer o mesmo com o seu blogue ou página pessoal, é só seguir as instruções aqui. FM
2004-01-26
 
Humilde Gente
o neo-realismo é como a literatura de viagem para quem vive em torres de de marfim. Quem vem do subúrbio nao precisa, realismo tem qb. Quem vive no centro da cidade facilmente não se apercebe que o terceiro mundo está mesmo ali à mão, a umas quantas estações ou paragens de autocarro.AG
 
Speechless (The Eagle and the Weasel) - Laurie Anderson
It was August. Summer of '82. You had that rusty old car And me I had nothing better to do You picked me up. We hit the road. Baby me and you. We shot out of town Drivin' fast and hard Leaving our greasy skid marks In people's back yards. We were goin' nowhere. Just drivin' around. We were goin' in circles. And me I was just hanging on. Like in that Annie Dillard book Where she sees that eagle With the skull of a weasel Hanging from its neck And here's how it happened, listen. Eagle bites the weasel. Weasel bites back They fly up to nowhere. Weasel keeps hangin' on. Together forever. We were goin' nowhere. Just drivin' around. You did all the talking and me I didnt' make a sound If I open my mouth now I'll fall to the ground If I open my mouth There's so much I'd say Like I can never be honest. Like I'm in it for the thrill. Like I never loved anyone. And I never will. Eagle bites the weasel. Weasel bites back. They fly up to nowhere. Wesel keeps hanging on. Together forever. I remember that old coat. My gran
dma used to wear Made of weasels Biting each other's tails A vicious circle And endless ride On the back of an old woman. Eagle bites the weasel. Weasel bites back. They fly up to nowhere. Wesel keeps hanging on. Together forever. And me? I'm goin' in circles. I'm circling aruond. And if I open my mouth now I'll fall to the ground.
RF
 
Porquê?
Vê-se em directo ou ao vivo Mikhlos Féher a levar um cartão amarelo. A sorrir. E a cair desamparado para não voltar a levantar-se. Pensa-se na música do Caetano: Existirmos, a que será que se destina? FM
 
Gente humilde
Mas há alturas em que é impossível não sentir compaixão. Rui, estás a precisar de ouvir a "Gente Humilde" e de umas sessões de leitura intensiva de literatura neo-realista. Ver filmes do Vitorio de Sica também ajuda. FM

 
Compaixão
Concordo contigo, Rui. A compaixão é uma virtude típica da direita (não deixa de ser uma virtude). Para se sentirem melhores com eles próprios. A compaixão demonstra a superioridade moral da esquerda (e de um modo geral de quem não precisa de compaixão - que arrogante que eu estou, hein?).
Foi talvez por compaixão, admito, que revi a minha posição face ao financiamento do aborto. Talvez isto signifique que preciso de rever a minha posição e o que afirmei atrás. Faço-te só notar que o que defendo para as adolescentes não é o que dizes que defendo. Vai ler bem.
O resto é melhor discutirmos com uma garrafinha de tinto. FM
 
Dorme que isso passa
O melhor remédio para a insónia é dormir, Rui. E espero que este texto do RAP não se te aplique. FM
2004-01-24
 
Porquê escrevo tão tarde?
Porque tenho insonia, provavelmente por umas pastilhas que estou tomando para deixar de fumar... Em "A Condição Humana" de André Malraux tem um chinês que afirma que os homens se conhecem pelos seus vicíos. Dito de outra forma um homem muda quando muda de vicíos...RF
 
As Horas
A propósito de toda esta discussão sobre mulheres, vi hoje "As Horas" que não havia visto em seu momento no cinema.
Adorei, adorei, adorei. Um cinema feito sobre mulheres com sensibilidade feminina por um homem, Stephen Daldry, que já havia realizado "Billy Eliot" que não é tão ambicioso como este.
Será dos filmes que faz um uso mais inteligente da música (de Philip Glass) dos últimos tempos. A interpretação de Julianne Moore, mais inclusive que Nicole Kidman (no papel de Virginia Wolf), é de cortar a respiração. A estructura narrativa polifónica, tipicamente literária, está muito bem conseguida no filme, que deixa grande parte do ritmo de cada uma das "histórias" nas mãos da actriz que a conta (além das duas referidas, a outra é Meryl Streep).
Não sei porquê me veio a cabeça muitas vezes durante o filme Laurie Anderson. Talvez pelo tom feminino mas nada "delicodoce". Se ainda não viram, vejam.RF
 
A propósito de uma conclusão...
Eu sei FM que para ti o assunto do aborto já terminou um post antes. De qualquer modo volto a ele por uma parte do teu texto:
Creio ter razão nos argumentos que usei, mas os usados pelo Rui deixam-me sempre sensibilizado: a "gente humilde", as mulheres sem trabalho, abandonadas pelos maridos...(FM)
Voltando ao meu texto a que fazes referência cito textualmente:
Estamos falando de adolescentes (sem financiamento próprio), de gente humilde e ignorante (que se saltam os métodos anticonceptivos), de mulheres sem trabalho (donas de casa que sem financiamento do marido a abortar abortam com a abortadeira...), etc, etc.
Eu tentei buscar situações muito dignas e que inspirassem compreensão e revolta, nunca piedade, que é o que parece dar a entender ao FM. Espero que isto não signifique que és de esquerda porque te sensibilizas com a "gente humilde, as mulheres sem trabalho, abandonadas pelos maridos". Isto parece coisa de direita.
Voltando aos exemplos que apresentei e com a intenção de dignificar a mulher que está grávida e não deseja ter um filho mas que foram mal interpretados, pelo menos por alguns. Assim também aproveitarei para exercer num grau minimalista a minha veia de narrador que por outro lado é ela mesma muito miníma:
1 - adolescentes sem financiamento próprio
Este caso não é referido pelo FM e será aquele causou menos dúvidas de inspirar piedade. Assim que o saltarei desta vez.
2 - gente humilde e ignorante (que se saltam os métodos anticonceptivos)
Neste capítulo eu incluo prostitutas, pelo menos aquelas que se deixam engravidar, e em geral todos aqueles que estavam incluídos no grupo que costumam denominar por aqueles que fazem "abortos por sistema".
3 - mulheres sem trabalho (donas de casa que sem financiamento do marido a abortar abortam com a abortadeira...)
Este é aquele a que queria chegar pois foi o que o FM lhe deu mais a volta transformando em "mulheres abandonadas". Mas onde falei eu em mulheres abandonadas? Estou falando também de mulheres donas de casa, que podem até ser muito amadas por seus maridos, mas que ficando grávidas sem que o desejem, sabem que seus maridos não as vão apoiar numa decisão de abortar muito pelo contrário.
Este caso é muito mais interessante porque muito mais radical, já que tal como no caso de adolescentes demonstram que eu defendo a financiação do aborto sem nenhuma espécie de necessidade de consentimento por parte de marido, ou pais - apenas no caso de adolescentes muito jovens (para sermos exactos, menos de 16 anos) exigiria que houvesse necessidade de consentimento por parte dos pais, e isto apenas porque sou realista e sei que estou no planeta Terra e as pessoas ainda são como são. E também porque aponta para as verdadeiras razões da minha defesa de liberar e financiar o aborto. São razões de príncipios e não circunstanciais. Uma mulher não deve pagar por ser mulher.
De qualquer forma o que quis foi responder a observação feita por FM que dava a entender da minha parte a utilização de argumentos piedosos para a financiação do aborto. Creio que é muito raro eu ser ou usar argumentos piedosos. A piedade é em geral a forma que a direita tem de demonstrar carinho e reconhecimento pelos "pobres". Eu sou de esquerda porque sinto compreensão e a revolta consequente por todas aquelas pessoas que de uma forma ou de outra são exploradas e oprimidas. Sou obrigado a dizer que neste grupo de pessoas estão incluídas uma parcela gigantesca das mulheres deste planeta. Infelizmente porque ainda hoje século XXI, nós homens continuamos a usar e entender a lei da força e do músculo melhor que qualquer outra.
Curiosamente descobrimos o que até os gregos já sabiam, que as democracias são perfeitamente compatíveis com a boçalidade humana, bastando que esta seja maioria. Alemanha Hitleriana. EUA vota Bush e o apoia na invasão mais boçalmente imperialista desde muito tempo. Portugal em referendo vota contra a liberalização do aborto.
Ao final o que descobrimos é que a protecção de minorias e da liberdade de todos, não tem nada que ver com democracia, e ás vezes muito pelo contrário.RF
2004-01-22
 
duas sugestões...

AG
 
O blogue das interacções fundamentais
Nunca vos tinha dito uma coisa que notei num dia destes.
Conforme sabem, ou deveriam saber, são conhecidas quatro interacções fundamentais na Natureza: a nuclear forte, a nuclear fraca, a electromagnética e a gravitacional. Cada uma delas está associada ao trabalho de um dos membros deste blogue, respectivamente o Guilherme, o Nuno, o André e eu. Bem, na verdade eu tento perceber como unificar as interacções todas, mas sou o único que trabalha explicitamente com a gravidade.
E o Rui, perguntarão vocês? O Rui está com certeza associado a alguma interacção ainda por descobrir. Algum modo de vibração associado a cordas em dez dimensões. Ele trabalhou em efeitos não perturbativos em Física, pelo que deve estar associado a uma outra dimensão não perturbativa. O Rui deveria vir no Review of Particle Physics; ele é uma evidência da existência de Física para além do modelo padrão. FM
 
O estalinista moderado
O Nuno, supostamente o mais moderado de todos nós, a nossa ala direita, pelos vistos é fã do Jorge Coelho, o "apparatchik" do PS que desconfiava dos independentes por serem "muito imprevisíveis". Jorge Coelho é uma boa demonstração de algo que sempre defendi: o estalinismo está presente em todos os partidos. A diferença é que no PCP o estalinismo é evidente como parte do sistema, enquanto nos outros partidos está somente latente. Mas está lá.
O seu passado político na UDP não engana: Jorge Coelho é um estalinista dentro do PS.
Quanto à política interna do concelho de Sintra, não vou comentar por falta de conhecimentos. Mas não quero deixar passar em claro a referência ao Rui Sá, vereador na câmara do Porto. O Rui Sá, para começar, é o único político em Portugal que eu conheço que tem um horário semanal de atendimento ao público: está disponível para conversar com qualquer cidadão. Se o sintrense Nuno Anjos ou qualquer portuense acharem mal alguma coisa que ele tenha feito, têm bom remédio: vão lá chateá-lo, que ele atura-vos. Depois, não se vendeu a Rui Rio, como antes não se vendeu a Nuno Cardoso. É simplesmente uma pessoa que (reconheça-se, ao contrário do que é o hábito no PCP) faz oposição construtiva. Com qualquer um destes presidentes, aprova o que acha que é de aprovar e reprova o que acha que é de reprovar. Dado que o actual sistema de vereação municipal permite que todos os vereadores tenham responsabilidades, por que razão haveria Rui Sá de recusar aquilo a que legitimamente tem direito? Só porque os vereadores do PS entenderam recusar? Quem é aqui o estalinista?
Finalmente, recordo que quer Rui Rio, quer Nuno Cardoso, enquanto presidentes, sempre elogiaram o valor e, sobretudo, a "lealdade" de Rui Sá que, nas últimas eleições, contou com o voto de diversos portuenses não conotados com o PCP, como Rui Veloso. Despeitado por ter sido preterido por Fernando Gomes, Nuno Cardoso então quase apelou ao voto no vereador comunista. Veremos o que dirá nas próximas eleições, agora que parece um facto consumado ser ele o candidato socialista. FM
2004-01-21
 
Nem tudo o que rima é ouro
"Quem faz um filho fá-lo por gosto"?. O homem sim, a mulher nem sempre.
ou como o machismo está à espreita quando menos se espera. AG
 
Aborto (conclusão)
Não fiquei indiferente aos argumentos apresentados pelo Rui. Digamos portanto que eu tenho dúvidas sobre a questão do financiamento do aborto. Creio ter razão nos argumentos que usei, mas os usados pelo Rui deixam-me sempre sensibilizado: a "gente humilde", as mulheres sem trabalho, abandonadas pelos maridos...
Encerrando a questão reconhecendo que precisaria ter um conhecimento "no terreno" mais aprofundado sobre esta questão para poder falar melhor. O aborto, evidentemente, não é a solução ideal para ninguém. Quem faz um filho fá-lo por gosto, escreveu um poeta falecido faz agora vinte anos, que infelizmente não tivemos tempo de aqui evocar melhor. Seguramente ninguém faz abortos por gosto; o aborto é um mal necessário. Um aborto financiado incondicionalmente pelo Estado é um mal ainda maior, que eu poderei aceitar se me convencer, ou se me convencerem, de que é mesmo necessário. Como diria o Caetano, na espantosa canção que dá o título a este blogue, some may like a soft brazilian singer but I have given up all attempts at perfection. FM
2004-01-20
 
O futuro
Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

José Carlos Ary dos Santos FM
2004-01-17
 
O aborto - resposta ao Filipe
Primeiro: eu percebi que o vosso ponto é o da financiação, mais faltaria... E sim digo que as vossas dúvidas contra a financiação pública (que eu defendo) se devem em grande parte as mesmas razoes machistas que permitem que outros homens tratem o tema da liberalização do aborto (que vós defendeis tal como eu) tão levianamente. Se fosses mulher Filipe (perdoando-me o raciocinio hipotético) duvido que a tua opinião fosse a mesma...
O problema da financiação tal como o colocam iria afectar directamente as classes que mais recorrem ao aborto, ou recorreriam ao aborto se pudessem. Estamos falando de adolescentes (sem financiamento próprio), de gente humilde e ignorante (que se saltam os métodos anticonceptivos), de mulheres sem trabalho (donas de casa que sem financiamento do marido a abortar abortam com a abortadeira...), etc, etc.
Os casos dos abortos em boas clínicas para estas pessoas supoe ou um esforço gigantesco ou pura e simplesmente inviável.
Não conhecer esta realidade é desconhecer o drama do aborto, o que é particularmente grave em pessoas que se consideram de esquerda.
Se o estado liberaliza o aborto estamos falando dos minímos dos minímos, pois uma parte importante do problema de fundo do drama do aborto não se resolve.
Quanto a questão das mulheres/homens no tema do aborto, por mais que possa parecer fácil ridicularizar a minha opinião não volto atrás nela. O drama de em qualquer momento e por qualquer razão se encontrar perante uma gravidez não desejada é algo que desde a situação feminina um homem não sabe o que é nem nunca saberá. E o facto de o aborto não ser livre e financiado pelo Estado se deve na maior parte a vivermos numa sociedade que ainda é machista.
Insisto no assunto, Filipe, porque é importante.RF
2004-01-16
 
O aborto - resposta ao Rui
Creio que não me interpretaste bem na questão do aborto. Começo por dizer que não concordo com argumentos do tipo "só as mulheres devem discutir se o aborto é ou não legal". Fazes-me lembrar um amigo meu, do Norte do país, que aquando do referendo da regionalização defendia que os lisboetas não deveriam votar, pois tal era uma decisão que só competia aos não-lisboetas!
Defender que o estado não pague por algo não é o mesmo que defender que tal deveria ser ilegal. Quem acha que isso é a mesma coisa está habituado a que seja o estado a pagar por tudo.
Se, depois do que eu e o Nuno escrevemos, insistes na ideia de que no fundo o que defendemos é a ilegalização do aborto, acho que não vale a pena insistir mais no assunto. FM
 
O aborto - uma perspectiva diferente (II)
Começo por esclarecer que, para mim, obviamente o aborto é uma questão pessoal da mãe. Sou por isso totalmente favorável à legalização do aborto (até às doze semanas) em qualquer circunstância, desde que seja essa a vontade da mãe e a mãe seja uma pessoa na plena posse das suas faculdades mentais.
A grande questão é simplesmente esta: suponhamos que não há outro motivo que não seja a vontade da mãe. (Os "bons motivos" que eu referia eram bons motivos para o Estado pagar sempre o aborto - violação, risco de vida - e não bons motivos para fazer o aborto! Era um julgamento financeiro e não moralista.) Sem nenhum desses "bons motivos" (financeiros!), será que deve ser o Estado a pagar o aborto? Esta questão não diz respeito somente às mulheres; diz respeito a todos os pagadores de impostos. (E mesmo a quem não paga impostos, como eu e quatro quintos dos membros deste blogue.)
Saudei o artigo do João Miguel Tavares como o primeiro artigo inteligente de direita que eu li sobre o aborto. Quem nos dera que a única questão a debater fosse esta! E espero que daqui a pouco tempo a questão a discutir seja mesmo esta.
Era esta a questão do João. A resposta dele era "não". A minha é que tenho dúvidas. Tenho dúvidas de que o Estado deva financiar indiscriminadamente abortos. Nenhuma mulher anda a fazer abortos todos os meses, mas há mulheres que fazem vários abortos sem "bons motivos financeiros" ao longo da vida. Depois de fazer um primeiro aborto que não tenha um desses motivos, nenhuma mulher deve ficar sem ter formação sobre planeamento familiar. Este aborto deve ser financiado pelo Estado e esta formação, também financiada pelo Estado, deve ser obrigatória. A partir daqui, creio que se deve exigir uma certa responsabilidade! Salvaguardo aqui os abortos por malformação, risco de vida e violação e os abortos para mães adolescentes. Estes deveriam ser sempre suportados pelo estado.
A minha principal preocupação é a "sobrevivência" do Estado-Providência. Ter um Estado-Providência demasiado generoso, que não funcionava por se encontrar em bancarrota, foi um dos principais motivos da ascensão da Sra. Thatcher ao poder na Grã-Bretanha do fim dos anos 70. Não é isto que nós queremos, pois não? FM
2004-01-15
 
Notícias de Espanha
Dada a minha presença em Espanha me sinto na obrigação de apresentar e discutir alguns dos temas que assolam as folhas de jornal deste país.
Aznar Como deverão saber o homem vai deixar o poder. Poderia se candidatar a mais um mandato mas se lembrou de prometer na primeira campanha eleitoral em que saiu vitorioso, contra o socialismo que havia estado no poder até então, que se ganhasse não se candidataria a mais de dois mandatos. O homem teve a vida fácil para deixar a sua marca de uma boa governação relativa. O socialismo já tinha se enterrado bem quando ele chega ao poder. Houve os GAL, inúmeros casos de corrupção, o desemprego record. Básicamente se dizia (e ainda se diz...) que "os socialistas só sabem matar e roubar". Chegando ao poder Aznar e companheiros dedicaram-se a ser genuínos, exercendo de direita liberal católica conservadora. A economia, nos seus dados macroeconómicos melhorou, e permitiu essa coisa fabulosa que é veres a gente castelhana direitona e humilde orgulhosa de que Espanha cresce mais que Alemanha, mesmo que eles sigam ganhando igual de mal que sempre. O amor ao seu país de algumas pessoas é uma coisa fascinante... e é sempre impactante ver pobres de direita. Em relação a corrupção a verdade é que também parece que foram um pouco menos fascínoras que os socialistas. E em relação ao combate contra o terrorismo mais inteligentes. Houve a catástrofe do Prestige que eventualmente foi acima de tudo dramatizada por aqueles que desejavam manchar o governo de Aznar em proximidades de consultas populares. Ou seja, que é preciso reconhecer que quanto política nacional Aznar era um olho e um bigode numa terra de cegos. Quanto a política internacional a sua inteligência é seguramente mais discutível e pelo menos não parece ter uma simpatia tão unânime da população. Mas seguramente o seu sucessor, Rajoy, será eleito...
Franco Para um português, é sempre desconcertante ver como o baixote morto continua desde o além a estabelecer as pautas que Espanha segue. O sucessor de Aznar, Mariano Rajoy, entrou no PP espanhol das mãos de Fraga, actual presidente da Comunidade Autonoma da Galiza. Manuel Fraga foi um dos principais ministros de Franco e fundador do partido. Rajoy parece ser mais diplomático que Aznar mas também menos capaz que esse de galvanizar os intintos conservadores do seu eleitorado. Já veremos como serão as coisas depois de Rajoy terminar seu primeiro mandato, já que é provável que ele vencerá a próxima eleição.
Socialistas Parece ser um mal geral dos socialistas ibéricos, pois também em Espanha a credibilidade do PSOE anda pelas ruas da amargura. Pelo seu passado no governo, por não ter um líder suficientemente forte que desse a volta ao partido, deixando-o desembocar no triste espectáculo recente das eleiçoes para a Comunidade de Madrid. Perderá as próximas eleiçoes para Governo Central e terão que buscar novo líder. O interessante é ver o que o desespero faz a um partido, que tendo vocação nacional, envia o combate político a área da discussão dos nacionalismos regionais na esperança de mudar o espectro de votos que se adivinha para as próximas eleiçoes.
Nacionalismos Regionais A estratégia do partido socialista de apoiar uma ainda maior descentralização do poder em Espanha não me parece condenável á partida. O que me parece condenável é que esta postura apareça tão cerca das próximas eleiçoes. Me parece algo suficientemente sério para não entrar nos desvarios de promessas eleitorais... Por outra parte é interessante notar como o combate político se transforma desta forma não tanto num combate ideológico direita-esquerda mas num combate entre o espanholismo e os nacionalistas regionais. Neste aspecto devo dizer que não antipatizando com a descentralização do poder, antipatizo absolutamente com este nacionalismo de "mi río, mi pueblo"... E desconfio por príncipio de toda forma de esquerda nacionalista. Esquerda que é esquerda, canta a Internacional não anda por aí com chachadas nacional/regionalistas ainda por cima em regioes ricas (como é o caso do ERC de Catalunha)... Tudo muito suspeito em homens de esquerda. Ou seja, e para terminar antipatizo con a tónica nacionalista com que a Esquerda neste país está a discutir a descentralização do poder mas também sou consciente que os que não são nacionalista neste país são em geral espanholistas ( e mais específicamente castelhanistas), ou seja, que de uma forma ou de outra andam todos parvos com "mi río y mi fuente".
Independentismos A história de Espanha é a hitória de uma Yugoslávia medieval e renascentista. O que é curioso é verificar como depois de tanto tempo reaparecem estes primitivismos nacionalistas. E o problema principal de toda esta história é que ao final temos do lado contrário um grupo de pessoas que muitas vezes pecam por estarem situadas num nível muito parecido de discussão, que são como já disse os espanholistas-castelhanistas. Por exemplo é um facto que o Instituto Cervantes se preocupa somente com o ensino da língua castelhana, mas não do catalão, do galego e do euskera. Isso é assim porque Espanha é uma invenção de Castela... Ou seja, que o problema de toda esta discussão é que não há honestidade total das partes na abordagem do problema basicamente porque nenhuma se sente suficientemente forte para se dar ao luxo de ser clara e honesta. Neste aspecto deve ser um alívio para todos os portugueses que nossos ancestrais nos tenham livrado dessa confusão. Por outra parte é preciso destacar que só parece existir risco real de futura ruptura com o país Basco, com a Catalunha o risco é pequeno, e com Galiza inexistente. Galiza é historicamente e presentemente uma espécie de patrocinadora espiritual das ambiçoes castelhanas. Nao deixa de ser curioso para um português isso...RF
 
Abortos
Se aceitamos que o aborto deve ser liberalizado e em alguma situação financiado não financiar os demais casos só se explica por duas hipóteses: é uma operação demasiado cara, ou é pouco cara mas são tantas as mulheres que o praticam e tão frequentemente que seria caro esse financiamento, ou que apesar de concordarmos com a sua liberalização condenamos de alguma forma a sua prática.
Tchan, tchan, tchantchan! Qual é a resposta correcta?
Claramente creio que caímos na terceira. Nos perguntamos então: Porquê condenamos o aborto? Será porque não gostamos de "mulheres irresponsáveis" que com tantos métodos disponíveis para prevenir uma gravidez mesmo assim engravidam? Ou será porque passámos demasiado tempo ouvindo chorradas judaico-cristianas que nos estupidificaram de forma irremediável? Ou será porque somos homens e temos uma raiva nata ás mulheres?
Meus amigos eu conheço uma pessoa que nasceu de um preservativo furado que seus pais não se aperceberam que o estava. Ou seja, que neste caso se seus pais quisessem abortar teriam que pagar, porque nem a pilula do dia seguinte lhes ia servir (já que era preciso que se houvessem dado conta do problema o que não foi o caso). E porquê teriam que pagar? Porque os senhores acham que o aborto é um luxo? Porque acham que mesmo livre será sempre reprovável? Ou porque estão traumatizados e têem raiva de vossas mães, mulheres, vizinhas, filhas, etc?
Não queria entrar em casos particulares porque para mim me parece de uma imensa arrogância um homem (que nunca terá uma gravidez e nunca será mãe) julgar os motivos de uma mulher para não querer ser mãe...RF
 
Aborto
Prometo dar a minha contribuição para esta discussão já que estou em quase total desacordo com o FM e o NA, e só parcialmente com o RF.
Estou de partida para Genebra. Até para a semana.GM
 
Oxford
Li, em Oxford onde estava de visita, os disparates que se disseram sobre o sítio. A imagens de Oxford baseadas em leituras parolas do Brideshead Revisited não faço comentários. A equivalência Filomena Mónica - Oxford é simplesmente disparatada. Da arrogância intelectual nunca lá fui vítima.GM
 
Queluz, Edite Estrela, o PS e o PC
Outubro passado fez 25 anos que vim viver para Queluz. Já não é à pouco tempo, portanto, que conheço a realidade do concelho de Sintra. A Queluz da transição de 70 para 80 era basicamente uma vila pacata. Já tinha um urbanismo incaracterístico, porque desde o início dos anos 60 várias zonas haviam sido construidas. Ainda assim, os volumes dos edifícios eram reduzidos, e como ninguém tinha carro não haviam problemas de estacionamento. A zona em que eu fui morar, o Monte Abraão, era precisamente a de edifícios mais volumosos. Mas a urbanização fora bem planeada, feita com espaços verdes realmente arborizados, e não meros descampados. Talvez por essa qualidade de projecto base, a empresa urbanizadora viria a falir, e durante bastante tempo não houve mais construção na parte superior do Monte. Nessa altura Massamá era um pequeno aglomerado de vivendas e prédios de três andares, e muitas quintas. O IC19 não existia, antes havia a pitoresca estrada de Sintra.

E nessa altura a coligação PSD/CDS chegou ao poder. No início dos anos 80 começou o licenciamento em série em Massamá. De 84 a 88 Massamá era um gigantesco estaleiro lamacento. As quintas foram destruidas, e prédios de grande volume apareceram por todo o lado. A fama de que em Massamá havia casas grandes e baratas espalhou-se por todo o lado. A marabunta tudo comprou. Foi neste periodo que começou a transformação da estrada de Sintra em IC19. Depois de Massamá, que hoje é um pesadelo onde é impossivel estacionar, circular, ou sair, foi a vez do mais surreal subúrbio de Lisboa: S. Marcos, entre o Cacém e o TagusPark. A partir de 88 uma muralha compacta de edifícios ergueu-se. A malta já não caiu na cantiga, e as casas foram vendidas a preço de saldo. Mas a coligação ainda teve tempo de deixar um belo presente: o licenciamento de Massamá Norte, que fica tão longe da estação que o uso de carro é obrigatório. Foi construida a partir de 90, e ainda continua. Na minha zona, os direitos da antiga construtora foram vendidos a outra firma. A nova urbanização já não teve espaços verdes.

Foi esta a situação que Edite Estrela (EE) encontrou em Sintra. Em Queluz ou Massamá EE não licenciou nada: já estava tudo decidido. Mas foi EE que comprou os terrenos e fez as obras do que hoje é o parque central de Queluz, foi sob EE que as áreas verdes do Monte Abraão foram finalmente recuperadas e sistemas de rega instalados, que os túneis rodoviários nas estações foram feitos, e foi ela que negociou com a REFER a nova estação. Queluz ganhou muito com EE. Mas foi EE que apanhou com as manifestaçoes dos grupos de utentes do IC19, mobilizadas pelo PC. PC esse que, com Lino Paulo, teve sempre um vereador durante o periodo PSD. Infelizmente em Sintra nunca houve comunistas, só comunas. Restava a quem veio a seguir fazer melhor. Pois não fez NADA. Os planos para estender o parque central até Belas foram para a gaveta. Uns míseros 300 m de estrada para acesso do Monte Abraão à nova estação estão parados. Entretanto Lino Paulo foi-se embora. Mas o estilo comuna Sintrese continua. A mais recente envolve a aprovação, com o apoio do PC, de urbanizações no Belas Clube de Campo que excedem os limites. O vereador comuna foi empossado na gestão de uma empresa municipal. É um estilo que parece fazer escola. Também o Rui Rio se aguenta assim.

Eu recebi o famoso boletim em que EE foi acusada de campanha com os meios da Câmara. EE foi bem condenada. Mas ninguem mais é condenado? O que faz Santana Lopes em Lisboa? EE não desviou dinheiro em proveito próprio, nem beneficiou terceiros. Não fugiu. A situação em causa resume-se a uma multa. Qualquer comparação com Fátima Felgueiras é demagogia, um insulto ao leitor. EE decidiu recorrer. Espero que, se for condenada, os tribunais adoptem a mesma atitude para todos os casos similares. Que EE pague a multa, e se de seguida se candidatar a Sintra, eu votarei nela. NA


 
Coelho - um bom prato
Ao Colheone colou-se o rótulo de homem do aparelho, mafioso. E porém, em todos os cargos que ele desempenhou nunca houve suspeitas que o envolvessem... muito pelo contrário. Coelho será um populista? Eu acho que ele é um popular. Ao contrário de Santana Lopes ou Paulo Portas, o seu estilo não é uma fachada. Há ali uma bonomia genuina. Claro que também há um grande instinto político, mas não se sobrepõe à personagem. Infelizmente ele próprio se autoconvenceu que não passa como lider, e se relegou ao segundo plano. Do Jorge Coelho tenho a ideia que deveria procurar um cargo eleito directamente. E se fosse ele o primeiro ministro à altura, não teriam acontecidos as trapalhadas da regionalização e aborto. E, já agora, espero que tenha sacado uma boa jantarada à CIA. NA

 
Aborto - liberdade e responsabilidade
Quanto à questão do aborto, muito claramente, nem o espermatozóide, nem o óvulo, nem o ovo, nem o embrião antes de ter sistema nervoso funcional, são vida humana. São apenas hipóteses. Mas tem de haver um prazo para o aborto. Hoje há bebés viáveis aos 5 meses. E nesse caso abortar só pode ser permitido por razões médicas extremas. Só especialistas poderão dizer algo, mas o prazo não deve poder ir alem de 4 meses. Antes desse prazo o aborto deve ser livre.

Quanto ao pagamento do aborto, há que ficar claro que a gravidez não é uma doença. Todos devemos solideriedade (fraternidade, se quiserem) a quem tem a sua saúde em risco. Ora na maioria dos casos a gravidez não põe em causa a saúde da mulher. Quando não há problemas de saúde os abortos devem ser pagos por quem os quer fazer. As prioridades do estado devem ser a educação sexual gereralizada, o acesso a todos os contraceptivos, a venda livre da pílula do dia seguinte, e a legalização da pílula abortiva. Deve ainda criar uma rede de casas de acolhimento capazes de apoiar mulheres em situações críticas, como adolescentes grávidas sem apoio familiar. O acesso a dispendiosos meios cirurgicos subsidiados pelo estados deve depender de parecer médico, que deve incluir uma avaliação credível da situação psicológica da mulher. O aborto ilegal não é gratuito, no entanto inúmeras mulheres praticam-no sistematicamente (até mais de dez vezes ao longo da vida). O Estado não deve financiar quem por sistema não adopta métodos preventivos NA


2004-01-14
 
O aborto - o problema das perspectivas
Há algo de profundamente sexista em que sejam homens a discutir a legalização do aborto e que tenham a chave dessa mesma legalização. Se aprofundamos mais sexistas nos tornamos, ao tentar discutir as causas justas e injustas de um aborto.
FM, "ou há um motivo muito bom, ou o estado deve aceitá-los somente até um certo limite"? O que é um motivo muito bom? Para mim o motivo suficiente e necessário é a mulher decidir realizar um aborto e haver condição de o efectuar sem colocar em risco a sua vida. Aceito eventualmente períodos minímamente longos (4, 5 meses) como máximos para a tomada da decisão, não por concordar com o argumento de cidadanía do feto dos "movimentos pro-vida", mas apenas por contemporização.
Uma discussão séria sobre este assunto demonstra que o que está em causa na proibição do aborto não é ética mas somente religião. Desde um ponto de vista realista estabelecer que o óvulo fecundado tem uma importância tão superior ao do óvulo não fecundado mais o espermatozóide que o fecunda por separados é sacralização pura e dura. Passar então para o estágio de discussão da vida interior que existe num feto de poucos meses implicaria por coerência que a humanidade fosse por decreto lei vegetariana. Falarmos de vida em potência que existe no óvulo fecundado, no embrião, etc, correponderia a proibir a castidade feminina e a masturbação masculina, pois também existe uma vida em potência nessa quantidade abismal de óvulos e espermatozóides desperdiçados...
Ser ético aqui é reconhecer o abuso de obrigar-se uma mulher a ter uma gravidez não desejada seja qual seja a razão pela qual ela não a deseja. Ser ético é reconhecer que um homem nesta discussão só pode ter uma opinião que é a de defender a liberdade total da mulher de tomar a decisão que queira e dotar a sociedade dos elementos necessários para que todas a possam tomar independentemente da classe social ou qualquer outro factor.
Perdão ás mulheres por mais uma vez estarem a ouvir a opinião de um homem sobre um assunto que afecta acima de tudo a vós e no qual não deixamos todavía que tenhais a última palavra. RF
2004-01-13
 
A volta do Dom Coelhone
Um dos acontecimentos políticos recentes foi o jantar de desagravo a José Lamego, que não foi pago por nenhuma cimenteira (atendendo à proveniência dos comensais, a começar pelo homenageado, deve ter sido pago directamente pela CIA).
Para mim que, estando tão farto deste governo, já digo que voto em qualquer coisa para me ver livre deles, foi bom voltar a ver reunidas, todas juntas, as razões para não votar no PS. Assistiu-se assim à volta do "velho PS" (já houve quem lhe chamasse tralha), personificado por quem sempre por ele deu a cara: Jorge Coelho.
Decidiu Jorge Coelho, como sempre, que a culpa era do PCP. Isto a propósito da recente condenação de outro ilustre elemento da tralha, Edite Estrela. De acordo com Coelho, portanto, o mais importante não é que se apure a verdade (foi neste sentido, e só com esta finalidade, que agiu o PCP): o mais importante é que se mantenha o poder, custe o que custar. Demonstra assim Coelho que não aprendeu nada com o caso Fátima Felgueiras, nem com as premonitórias palavras de José Barros Moura: ganha-se uma câmara para se perder o País.
A juntar a isto, Coelho demonstra o que espera de um eventual parceiro de coligação: que se mantenha no seu lugar, sem fazer muitas ondas, pois como disse em tempos "quem se meter com o PS leva".
Eu confesso que já me tinha esquecido de que o PS poderia ser, e é, assim. Mas nas próximas eleições (principalmente as presidenciais) não esquecerei. FM
2004-01-12
 
O aborto - uma perspectiva diferente
Deu que falar o último artigo do João Miguel Tavares sobre o aborto. Eu achei-o o mais original artigo sobre o assunto que tenho lido. O João defende que o aborto seja legalizado, mas acha que não deve ser o estado a pagá-lo, ou seja, deve ser feito em clínicas especializadas privadas.
Esta posição foge aos estereótipos típicos desta questão, e por isto eu chamo-lhe de "direita inteligente". De um modo geral, as pessoas têm uma opinião bem formada sobre os estereótipos da discussão do aborto (mal postos, como diz o Pedro Mexia), e eu também tenho. O artigo do João, pela primeira vez em muitos anos, deu-me que pensar sobre o assunto.
A posição do João é, na prática, um "legalize-se o aborto e deixe-se tudo na mesma." Ora com isso eu não concordo. Um dos aspectos que mais me revolta na questão do aborto são as mulheres de posses que o fazem em segurança no estrangeiro, enquanto as mulheres sem posses o fazem em Portugal, clandestinamente e sem condições. Legalizar sem garantir condições não serve para nada (o João deveria ter mais cuidado ao utilizar o adjectivo "obsceno"). Entre a posição do João e a do Bloco de Esquerda prefiro esta última, mas a minha posição é de meio termo. (Estou a falar, e creio que o João também, de abortos por livre decisão da mãe, sem nenhuma outra motivação.) Os abortos de livre (não espontânea!) vontade devem ser, para mim, como as reprovações no ensino superior público: ou há um motivo muito bom, ou o estado deve aceitá-los somente até um certo limite. No fundo o que está aqui em causa são os limites do estado-providência.
Nunca discuti o assunto nestes termos com os meus colegas de blogue (e nem com os de outros blogues), e era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. FM
2004-01-10
 
Um Chá no Deserto
Feliz ano a todos.
Esta é uma foto feita no dia 31 lá onde o deserto começa em Marrocos. Mas estou olhando para oeste, aos montes do Alto Atlas que havíamos acabado de cruzar (com o nosso carro!) vindos de Marrakesh. A foto é feita desde o alto de uma vila berebere histórica (ou seja, que estamos falando da raíz ibérica mais profunda... não é por acaso que os vendedores me perguntavam constantemente se eu era berebere, e ao final comecei a dizer que sim... por convencido e não vencido), Ait Benahdout, patrimonio mundial e uma verdadeira pérola (rodaram nela vários filmes como "lawrence da arábia", "gladiator", "um chá no deserto", e outros) que está na foto em seguida, a segunda. A terceira também é feita desde Ait Benahdout. A quarta é de uma das portas da muralha de Marrakesh. A quinta e última é a praça de Marrakesh de dia, se bem que é de noite e em directo que deve ser vista...
Uma viagem que só recomendo aos muito amigos, porque os outros não merecem. Próximo do céu, porque como todos sabem ou deveriam saber, são as palmeiras que o prendem a este pedaço de pedra solto no vazio.
Na próxima terei que baixar mais a sul.















RF

2004-01-08
 
Mais truques (muito) sujos
Escrevo no momento em que acabei de descobrir isto e de ser vítima destes truques. No post abaixo comecei por "linkar" http://www.moveon.org/ e juro que fui parar (não sei por obra ou arte de quem) a http://www.americanflag.com. Entretanto isto já não se verifica, mas sucedeu-me. E se experimentarem clicar http://www.move-on.org/, vão ter uma surpresinha.
Já sabíamos desde o Watergate, mas assim se confirma uma vez mais a sacanice da direita republicana. FM
 
Move On, Dean
Faço parte da "mailing list" do movimento Move On. Este começou por ter como objectivo a contestação à guerra do Iraque (foi assim que eu lá fui parar), tendo vindo progressivamente a transformar-se no tão badalado movimento de apoio à candidatura de Howard Dean à presidência dos EUA.
O João já referiu o episódio do video (que não chegou a ser um anúncio!) que comparava Bush a Hitler e que tanta polémica tem causado. Dean e o movimento MoveOn são completamente alheios ao tal video, obra de um apoiante mais inflamado. Mas a internet livre tem destas coisas (é como os comentários nos blogues), e impedi-las seria limitar a liberdade de expressão.
Creio que vale a pena ler a comunicação do movimento (que recebi por email) pelo que ela tem de revelador do quão baixa é a política americana. E das dificuldades por que passa um político de esquerda nos EUA. E, principalmente, pelo que tem de elucidativo sobre o modo de actuar da campanha de Howard Dean, que poderá constituir uma nova forma de fazer política em democracia. FM

Dear MoveOn member,
As the New Year begins, we'd rather be talking about positive things, and there are plenty of good things happening. But MoveOn.org has come under attack from the Republican National Committee (RNC), which has launched a campaign of malicious misinformation to divert attention from the creativity and power of the Bush in 30 Seconds contest. We need your help to make sure the media don't fall for it.
RNC Chairman Ed Gillespie launched the attack on "Fox News Sunday," and the RNC followed it with press releases and calls to reporters. The charges centered on two ads posted on the Bush in 30 Seconds website which compared President Bush's tactis with those of Adolf Hitler. Mr. Gillespie repeatedly referred to the ads as 'the MoveOn ad' or 'MoveOn's ad,' implying that we had sponsored or perhaps even commissioned the ad. And he also claimed that we might spend $7 million to run it on TV.
This is a lie. MoveOn.org hasn't sponsored such an ad, and we never would -- we regret the appearance of these ads on the Bush In 30 Seconds site. The two ads in question are from more than a thousand posted by members of the public, and they were voted on by MoveOn members through December 31st. Obviously the few hundred of you who viewed these ads agreed that they were not worthy of further broadcast or recognition, because they got low ratings. Yesterday we announced the 15 finalists -- all good, hard-hitting and fair appraisals of the Bush record, in the judgment of the members and others who rated them. The two offending ads can only be found one place now -- on the RNC website!
When we've explained this to journalists, most have understood that this is a game of gotcha politics, not news. But even our statement for the press below, which goes through the entire process in detail, hasn't stopped the right wing from working this angle as hard as they can.
That's why we're asking you to please watch for stories on this as they appear, and let us know. Call the news outlet yourself and give them hell for falling victim to such political baloney. I've attached our statement, which fully explains the situation, below. Then please let us know so we can contact the outlets directly. (...)
Second, we need you to get the press back on the right track. After you've corrected the negative accounts, write an upbeat letter to your local paper about the exciting and positive aspects of the contest and the finalists. These ads reflect the courage, hope, and deep patriotism of our membership. They're creative, passionate, and totally unlike most of the political ads that are out there. And perhaps most importantly, they were picked in a democratic way. Now that's a story.
The finalists are online at:
http://www.bushin30seconds.org/
By sharing that URL with your friends, family, and colleagues, you can help to make sure that the RNC isn't successful in stealing our finalists' glory.
Not only is the RNC campaign deceptive, it's also totally disingenuous. Yesterday, the New York Post ran a long opinion column focusing exclusively on how much Presidential Candidate Howard Dean resembles Hitler, even calling him "Herr Howie." Of course, the RNC hasn't issued a condemnation of that. When close RNC ally Grover Norquist repeatedly compared taxing the wealthy with the Holocaust in an interview on NPR, the RNC was muted. And in 2002, the RNC and its allies were silent when supporters of President Bush actually aired TV ads morphing the face of Senator Max Cleland, a triple amputee as a result of wounds sustained in Vietnam, into Osama bin Laden. Given such a transparently partisan track record, the RNC's moral outrage doesn't mean a whole lot.
Obviously, MoveOn.org and its 1.7 million members are now on the right-wing radar. They are going to do everything they can do to silence us, and we simply won't let it happen. Smear tactics and campaigns of misinformation have no place in American democracy.
Sincerely,
The MoveOn.org Team

2004-01-07
 
Oxford Blues
Oxford Town, Oxford Town
Ev'rybody's got their heads bowed down
The sun don't shine above the ground
Ain't a-goin' down to Oxford Town
[...]
B. Dylan


Embora escrita sobre uma Oxford mais a sudoeste, Faulkneriana e segregacionista, acho que se aplica muito bem a Oxford, Oxfordshire.AG
 
Chamada à colação
André e Guilherme, o que é que vocês têm a dizer sobre o assunto abordado neste texto (e nos respectivos comentários)? FM
 
Buscas
Várias pessoas vêm parar a este e aos outros blogues em busca das coisas do outro mundo. Mas uma visita proveniente desta busca é inesperada! FM
 
Notas soltas
Bom ano a todos os leitores e companheiros de blog!
Como nao há disponibilidade para mais, aqui ficam dois artigos que vale a pena ler


Este
é um artigo de Charles Krauthammer (este nome é só por si um programa...). CK é um dos mais duros articulistas neoconservadores. Porém, ao contrário de muitos neoconservadores, CK adopta geralmente uma linha mais realista. Neste artigo faz uma análise lúcida dos interesses que conduziram ao isolamento dos EUA.
Questões: porque é que a direita não admite que é do interesse europeu que os EUA continuem a pagar a conta do conflito iraquiano sozinhos? Afinal a direita não procura defender os interesses próprios, em vez de alinhar em cruzadas duvidosas? E a posição que CK lamenta que a Europa tenha tomado não foi exactamente a posição dos EUA na 1ª e 2ª Guerras Mundiais até tocarem nos seus interesses?


O grande mistério explicado: um artigo económico interessante que explica porque todos dormem enquanto o dolar cai.

E um comentário à estreia de A Dois: Anabela Mota Ribeiro vale por todo o canal. Só é de lamentar a eliminação do cinema diário. Era o único canal radiodifundido onde ainda se podia ver uns filmes diferentes... NA
2004-01-06
 
Um debate sobre Física
O conhecido polemista e físico teórico João Magueijo, autor da controversa teoria da velocidade variável da luz, encontra-se em Portugal para apresentar o seu recente livro de divulgação científica baseado na sua hipótese. Hoje, na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica, teve lugar um debate entre Magueijo e alguns dos seus colegas a trabalharem em Portugal. Amanhã terá lugar a apresentação do livro ao público, no El Corte Inglés. Recomendo estes eventos a todos os interessados (para mais informações ver aqui). FM
2004-01-05
 
Benfica, 1 - Sporting, 3
Escreveu o Zé Mário no DNa, há umas semanas: "A verdade é que não precisamos dele. Lebram-se daqueles adeptos que, nos debates televisivos, disparam a frase assassina: «Se o Benfica acabasse, havia uma revolução neste país?» Também por isso, acho que já era tempo de o Benfica deixar de existir."
Depois do que aconteceu ontem, espero que a revolução comece. Mas eu confesso: preciso do Benfica. Se não, a quem é que o Sporting ganhava?
A verdade é que ontem aconteceu uma das coisas que mais alegria me dá. Adoro andar pelas ruas de Lisboa em dias assim, a olhar para o ar cabisbaixo dos benfiquistas. Adorava ver o João Malheiro... Adorei ver ontem o jornalista Rui Santos na SIC Notícias a garantir que o campeonato já tinha acabado, porque o FC Porto seria campeão (se o Benfica tivesse ganho, mesmo ficando a uma distância pontual maior do que a que o Sporting tem agora, a história seria outra). Adoro ver as capas dos jornais...
Isto não é nada que não tenha acontecido antes. Mas ontem e hoje estive em Lisboa, no centro dos acontecimentos. Estar nos EUA a ver o jogo com emigrantes também é interessante mas não é tão divertido.
E os benfiquistas que não se venham queixar da arbitragem. Se o primeiro penalti não existiu, logo a seguir houve mão na área do Benfica, a influenciar a trajectória da bola. O Rochemback foi mal expulso. Se há alguém a poder queixar-se do árbitro, é o Sporting.
A pequena manchete que o "24 Horas", com medo de perder os seus leitores, dedica ao assunto diz: "Silva engana benfiquistas". O "24 Horas" é mesmo o jornal dos benfiquistas típicos. FM
2004-01-02
 
Lisboa santanista
Passei o ano com mais 60000 pessoas (a fazer fé nos jornais, teriam sido 59999), no Terreiro do Paço. À meia-noite houve um bonito espectáculo de fogo de artifício e raios laser. O espectáculo terminou com o lema de campanha de Santana Lopes, "Lisboa Feliz", reflectido simbolicamente em toda a extensão do edifício do Ministério da Justiça.
Mesmo mudando de ano, há coisas que nunca mudam. FM
 
La vida es un Carnaval
A primeira música que ouvi em 2004 foi esta conhecida salsa. Uma mensagem de esperança. Uma boa maneira de começar um ano. E uma boa homenagem à sua intérprete mais conhecida, uma das vozes cubanas desaparecidas em 2003.
No seu funeral em Nova Iorque, na Catedral de Saint Patrick, em Julho passado, os presentes despediram-se de Célia Cruz ao som desta canção.
Até essa altura, não me poderia sentir mais "em casa" nesta passagem de ano. Até que, quando dei por isso, toda a gente à minha volta estava a dançar. Então, não me poderia sentir menos à vontade. Sentir-me-ia mais à vontade no Estádio da Luz ou no congresso do PSD do que numa pista de dança. A boa música não é para ser dançada. FM
 
Azúúúcar!
Foi com este saudável grito, ao som da salsa, que entrei em 2004.
A sua história é bem simples. Aprendi em Miami que em Cuba serve-se o café bem forte, em chávenas grandes, cheio de açúcar, que é o que não falta na ilha.
Pois à autora deste grito, a cantora dissidente Célia Cruz, serviram café sem açúcar assim que ela chegou aos EUA. Saudosa de su Cuba e do café que lá bebia, a pobre guarachera gritou azúúúcar! Com a mesma alma com que cantava. FM

2004-01-01
 
Feliz aniversário, BdE
O Blogue de Esquerda completa hoje um ano. Parabéns, Zé Mário, Manel e restante equipa, por terem posto e mantido em pé esta instituição da blogosfera portuguesa. Agora vejam lá, não abusem do champanhe nesta quadra. FM

 
Desejos de ano novo
Além de votos pessoais e para amigos e família, desejo que o Sporting acabe o campeonato à frente do Benfica (ganhá-lo é difícil, e nem sei se o merecem...).
Se houver uma alteração política significativa em pelo menos um dos cinco países do eixo do bem de Álvaro Cunhal, já será muito positivo.
Para os restantes países, o melhor que posso desejar é que Bush perca as eleições de Novembro. Tudo o resto melhorará por acréscimo. Mas não custa sonhar um bocadinho e esperar que os embusteiros Bush, Blair, Aznar, Berlusconi e seus seguidores sejam obrigados a responder perante as respectivas opiniões públicas e o resto do mundo sobre as famosas armas de destruição maciça e a ligação do Iraque à Al-Qaeda.
Acima de tudo, em todo o lado, que seja o povo quem mais ordene.
Bom Ano Novo para todos. FM

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