Estrangeiros no momento
2004-01-14
 
O aborto - o problema das perspectivas
Há algo de profundamente sexista em que sejam homens a discutir a legalização do aborto e que tenham a chave dessa mesma legalização. Se aprofundamos mais sexistas nos tornamos, ao tentar discutir as causas justas e injustas de um aborto.
FM, "ou há um motivo muito bom, ou o estado deve aceitá-los somente até um certo limite"? O que é um motivo muito bom? Para mim o motivo suficiente e necessário é a mulher decidir realizar um aborto e haver condição de o efectuar sem colocar em risco a sua vida. Aceito eventualmente períodos minímamente longos (4, 5 meses) como máximos para a tomada da decisão, não por concordar com o argumento de cidadanía do feto dos "movimentos pro-vida", mas apenas por contemporização.
Uma discussão séria sobre este assunto demonstra que o que está em causa na proibição do aborto não é ética mas somente religião. Desde um ponto de vista realista estabelecer que o óvulo fecundado tem uma importância tão superior ao do óvulo não fecundado mais o espermatozóide que o fecunda por separados é sacralização pura e dura. Passar então para o estágio de discussão da vida interior que existe num feto de poucos meses implicaria por coerência que a humanidade fosse por decreto lei vegetariana. Falarmos de vida em potência que existe no óvulo fecundado, no embrião, etc, correponderia a proibir a castidade feminina e a masturbação masculina, pois também existe uma vida em potência nessa quantidade abismal de óvulos e espermatozóides desperdiçados...
Ser ético aqui é reconhecer o abuso de obrigar-se uma mulher a ter uma gravidez não desejada seja qual seja a razão pela qual ela não a deseja. Ser ético é reconhecer que um homem nesta discussão só pode ter uma opinião que é a de defender a liberdade total da mulher de tomar a decisão que queira e dotar a sociedade dos elementos necessários para que todas a possam tomar independentemente da classe social ou qualquer outro factor.
Perdão ás mulheres por mais uma vez estarem a ouvir a opinião de um homem sobre um assunto que afecta acima de tudo a vós e no qual não deixamos todavía que tenhais a última palavra. RF

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