Estrangeiros no momento
2004-01-17
 
O aborto - resposta ao Filipe
Primeiro: eu percebi que o vosso ponto é o da financiação, mais faltaria... E sim digo que as vossas dúvidas contra a financiação pública (que eu defendo) se devem em grande parte as mesmas razoes machistas que permitem que outros homens tratem o tema da liberalização do aborto (que vós defendeis tal como eu) tão levianamente. Se fosses mulher Filipe (perdoando-me o raciocinio hipotético) duvido que a tua opinião fosse a mesma...
O problema da financiação tal como o colocam iria afectar directamente as classes que mais recorrem ao aborto, ou recorreriam ao aborto se pudessem. Estamos falando de adolescentes (sem financiamento próprio), de gente humilde e ignorante (que se saltam os métodos anticonceptivos), de mulheres sem trabalho (donas de casa que sem financiamento do marido a abortar abortam com a abortadeira...), etc, etc.
Os casos dos abortos em boas clínicas para estas pessoas supoe ou um esforço gigantesco ou pura e simplesmente inviável.
Não conhecer esta realidade é desconhecer o drama do aborto, o que é particularmente grave em pessoas que se consideram de esquerda.
Se o estado liberaliza o aborto estamos falando dos minímos dos minímos, pois uma parte importante do problema de fundo do drama do aborto não se resolve.
Quanto a questão das mulheres/homens no tema do aborto, por mais que possa parecer fácil ridicularizar a minha opinião não volto atrás nela. O drama de em qualquer momento e por qualquer razão se encontrar perante uma gravidez não desejada é algo que desde a situação feminina um homem não sabe o que é nem nunca saberá. E o facto de o aborto não ser livre e financiado pelo Estado se deve na maior parte a vivermos numa sociedade que ainda é machista.
Insisto no assunto, Filipe, porque é importante.RF

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