Estrangeiros no momento
2004-01-16
 
O aborto - uma perspectiva diferente (II)
Começo por esclarecer que, para mim, obviamente o aborto é uma questão pessoal da mãe. Sou por isso totalmente favorável à legalização do aborto (até às doze semanas) em qualquer circunstância, desde que seja essa a vontade da mãe e a mãe seja uma pessoa na plena posse das suas faculdades mentais.
A grande questão é simplesmente esta: suponhamos que não há outro motivo que não seja a vontade da mãe. (Os "bons motivos" que eu referia eram bons motivos para o Estado pagar sempre o aborto - violação, risco de vida - e não bons motivos para fazer o aborto! Era um julgamento financeiro e não moralista.) Sem nenhum desses "bons motivos" (financeiros!), será que deve ser o Estado a pagar o aborto? Esta questão não diz respeito somente às mulheres; diz respeito a todos os pagadores de impostos. (E mesmo a quem não paga impostos, como eu e quatro quintos dos membros deste blogue.)
Saudei o artigo do João Miguel Tavares como o primeiro artigo inteligente de direita que eu li sobre o aborto. Quem nos dera que a única questão a debater fosse esta! E espero que daqui a pouco tempo a questão a discutir seja mesmo esta.
Era esta a questão do João. A resposta dele era "não". A minha é que tenho dúvidas. Tenho dúvidas de que o Estado deva financiar indiscriminadamente abortos. Nenhuma mulher anda a fazer abortos todos os meses, mas há mulheres que fazem vários abortos sem "bons motivos financeiros" ao longo da vida. Depois de fazer um primeiro aborto que não tenha um desses motivos, nenhuma mulher deve ficar sem ter formação sobre planeamento familiar. Este aborto deve ser financiado pelo Estado e esta formação, também financiada pelo Estado, deve ser obrigatória. A partir daqui, creio que se deve exigir uma certa responsabilidade! Salvaguardo aqui os abortos por malformação, risco de vida e violação e os abortos para mães adolescentes. Estes deveriam ser sempre suportados pelo estado.
A minha principal preocupação é a "sobrevivência" do Estado-Providência. Ter um Estado-Providência demasiado generoso, que não funcionava por se encontrar em bancarrota, foi um dos principais motivos da ascensão da Sra. Thatcher ao poder na Grã-Bretanha do fim dos anos 70. Não é isto que nós queremos, pois não? FM

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