Estrangeiros no momento
2004-01-12
 
O aborto - uma perspectiva diferente
Deu que falar o último artigo do João Miguel Tavares sobre o aborto. Eu achei-o o mais original artigo sobre o assunto que tenho lido. O João defende que o aborto seja legalizado, mas acha que não deve ser o estado a pagá-lo, ou seja, deve ser feito em clínicas especializadas privadas.
Esta posição foge aos estereótipos típicos desta questão, e por isto eu chamo-lhe de "direita inteligente". De um modo geral, as pessoas têm uma opinião bem formada sobre os estereótipos da discussão do aborto (mal postos, como diz o Pedro Mexia), e eu também tenho. O artigo do João, pela primeira vez em muitos anos, deu-me que pensar sobre o assunto.
A posição do João é, na prática, um "legalize-se o aborto e deixe-se tudo na mesma." Ora com isso eu não concordo. Um dos aspectos que mais me revolta na questão do aborto são as mulheres de posses que o fazem em segurança no estrangeiro, enquanto as mulheres sem posses o fazem em Portugal, clandestinamente e sem condições. Legalizar sem garantir condições não serve para nada (o João deveria ter mais cuidado ao utilizar o adjectivo "obsceno"). Entre a posição do João e a do Bloco de Esquerda prefiro esta última, mas a minha posição é de meio termo. (Estou a falar, e creio que o João também, de abortos por livre decisão da mãe, sem nenhuma outra motivação.) Os abortos de livre (não espontânea!) vontade devem ser, para mim, como as reprovações no ensino superior público: ou há um motivo muito bom, ou o estado deve aceitá-los somente até um certo limite. No fundo o que está aqui em causa são os limites do estado-providência.
Nunca discuti o assunto nestes termos com os meus colegas de blogue (e nem com os de outros blogues), e era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. FM

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