Estrangeiros no momento
2004-01-15
 
Queluz, Edite Estrela, o PS e o PC
Outubro passado fez 25 anos que vim viver para Queluz. Já não é à pouco tempo, portanto, que conheço a realidade do concelho de Sintra. A Queluz da transição de 70 para 80 era basicamente uma vila pacata. Já tinha um urbanismo incaracterístico, porque desde o início dos anos 60 várias zonas haviam sido construidas. Ainda assim, os volumes dos edifícios eram reduzidos, e como ninguém tinha carro não haviam problemas de estacionamento. A zona em que eu fui morar, o Monte Abraão, era precisamente a de edifícios mais volumosos. Mas a urbanização fora bem planeada, feita com espaços verdes realmente arborizados, e não meros descampados. Talvez por essa qualidade de projecto base, a empresa urbanizadora viria a falir, e durante bastante tempo não houve mais construção na parte superior do Monte. Nessa altura Massamá era um pequeno aglomerado de vivendas e prédios de três andares, e muitas quintas. O IC19 não existia, antes havia a pitoresca estrada de Sintra.

E nessa altura a coligação PSD/CDS chegou ao poder. No início dos anos 80 começou o licenciamento em série em Massamá. De 84 a 88 Massamá era um gigantesco estaleiro lamacento. As quintas foram destruidas, e prédios de grande volume apareceram por todo o lado. A fama de que em Massamá havia casas grandes e baratas espalhou-se por todo o lado. A marabunta tudo comprou. Foi neste periodo que começou a transformação da estrada de Sintra em IC19. Depois de Massamá, que hoje é um pesadelo onde é impossivel estacionar, circular, ou sair, foi a vez do mais surreal subúrbio de Lisboa: S. Marcos, entre o Cacém e o TagusPark. A partir de 88 uma muralha compacta de edifícios ergueu-se. A malta já não caiu na cantiga, e as casas foram vendidas a preço de saldo. Mas a coligação ainda teve tempo de deixar um belo presente: o licenciamento de Massamá Norte, que fica tão longe da estação que o uso de carro é obrigatório. Foi construida a partir de 90, e ainda continua. Na minha zona, os direitos da antiga construtora foram vendidos a outra firma. A nova urbanização já não teve espaços verdes.

Foi esta a situação que Edite Estrela (EE) encontrou em Sintra. Em Queluz ou Massamá EE não licenciou nada: já estava tudo decidido. Mas foi EE que comprou os terrenos e fez as obras do que hoje é o parque central de Queluz, foi sob EE que as áreas verdes do Monte Abraão foram finalmente recuperadas e sistemas de rega instalados, que os túneis rodoviários nas estações foram feitos, e foi ela que negociou com a REFER a nova estação. Queluz ganhou muito com EE. Mas foi EE que apanhou com as manifestaçoes dos grupos de utentes do IC19, mobilizadas pelo PC. PC esse que, com Lino Paulo, teve sempre um vereador durante o periodo PSD. Infelizmente em Sintra nunca houve comunistas, só comunas. Restava a quem veio a seguir fazer melhor. Pois não fez NADA. Os planos para estender o parque central até Belas foram para a gaveta. Uns míseros 300 m de estrada para acesso do Monte Abraão à nova estação estão parados. Entretanto Lino Paulo foi-se embora. Mas o estilo comuna Sintrese continua. A mais recente envolve a aprovação, com o apoio do PC, de urbanizações no Belas Clube de Campo que excedem os limites. O vereador comuna foi empossado na gestão de uma empresa municipal. É um estilo que parece fazer escola. Também o Rui Rio se aguenta assim.

Eu recebi o famoso boletim em que EE foi acusada de campanha com os meios da Câmara. EE foi bem condenada. Mas ninguem mais é condenado? O que faz Santana Lopes em Lisboa? EE não desviou dinheiro em proveito próprio, nem beneficiou terceiros. Não fugiu. A situação em causa resume-se a uma multa. Qualquer comparação com Fátima Felgueiras é demagogia, um insulto ao leitor. EE decidiu recorrer. Espero que, se for condenada, os tribunais adoptem a mesma atitude para todos os casos similares. Que EE pague a multa, e se de seguida se candidatar a Sintra, eu votarei nela. NA



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