Estrangeiros no momento
2004-02-16
 
Mentes veladas
...e eu não posso impor a minha opinião a ninguem, tem de ser a conclusão ao meu anterior post para qualquer um que acredite nos direitos humanos. Porque senão era fácil: metiam-se rabinos, padres e mulás no Campo Pequeno e ... que bela imagem, toda a padralhada estraçalhada, isto de respeitar os direitos humanos às vezes é tão chato...

Agora a sério:
André, Rui, vocês disseram o essencial sobre os problemas que a proibição do veu levanta, concordo com tudo o que disseram. Só duas notas adicionais. A primeira está relacionada com a desmontagem da ETA pelo Rui: eu não concordei com a lei que proibiu o Batasuna (o partido político legal da ETA), mas a lei foi eficaz: privou a ETA dos recrutas da juventude partidária, e deu espaço à mensagem nacionalista não violenta. Agora que a lei do véu foi aprovada, ao menos espero que ela resulte nalguma coisa, mesmo que não condorde com ela. Se for aplicada de forma cautelosa, como meio de pressão e não de exclusão, pode funcionar. Mas isso deixa as alunas à mercê de caprichos de políticos e juizes, e uma lei que faz isso é sempre má.

A segunda nota, mais longa, é uma reflexão sobre a unanimidade com que a lei foi aprovada. A esquerda uniu-se à direita, sem propor nada de diferente. Isto apenas mostra a degradação política em que caiu a sociedade francesa.

Para mim o ponto decisivo foi a inacreditável derrota de Lionel Jospin. Recordemos que o governo Jospin deu à França um periodo de crescimento económico e equilíbrio orcamental, com a consequente melhoria das condições sociais, ao mesmo tempo que conseguia levar em frente medidas como as 35 horas. Para conseguir isto, Jospin teve de ser rigoroso, e combater os muitos interesses corporativos que se escondem atrás de organizações de "esquerda", que apenas conseguem previlégios inaceitáveis para grupos muito específicos. Num país tão corporativo, um político honesto não é tolerável. E assim uma série de grupusculos troksyistas acabaram por entregar o poder à direita. Aqueles que não quiseram engolir o sapo Jospin acabarar por deglutir o elefante Chirac. Estão contentes. Quando é que a extrema-esquerda em França, ou em todo o lado, se deixará de patetices?

Entretanto Chirac meteu a esquerda no bolso com a guerra do Iraque. Mas isso não o tranquiliza. Como pode ser popular uma direita que aplaude Alain Juppe depois de ser condenado pelos empregos fictícios na Câmara de Paris, e em que Chirac só sobrevive devido à imunidade? Não admira que as últimas sondagens dêm 20% a Le Pen...
NA


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