Estrangeiros no momento
2004-03-22
 
O Sheik e o General
A notícia do dia é sem dúvida o assassinio do Sheik Yassin, líder do Hamas, pelo exército Israelita. Inevitavelmente o acto foi condenado pela esquerda como terrorismo de estado e escalada inútil no conflito, enquanto a direita se congratulou com o fim de um líder terrorista. Eu vejo as coisas com mais frieza. No conflito Israelo-Arabe existem as lutas justas pela sobrevivência de Israel e pela independência da Palestina. E existem as lutas injustas pela aniquilação de Israel e a anexação da Palestina. Yassim sempre esteve do lado dos que querem varrer Israel, e nunca admitiu um entendimento. Isto é o mais importante, e não que Yassim tenha usado métodos terroristas. O terrorismo é apenas um método, muito abjecto, mas só um método. O que define se podemos ou não negociar com terroristas são os seus objectivos. E os objectivos de Yasim eram inegociáveis. Não acho que tenha sido inútil. Por outro lado o objectivo do terrorismo é submeter o inimigo pelo medo através de ataques a alvos indiscriminados. Oram neste caso o alvo foi muito concreto: um dirigente inimigo. Afinal Israel está em guerra desde 1948. Só houve tratados de paz com o Egipto e Jordânia. Não foi terrorismo de estado, foi guerra. A questão é que Sharon também tem um objectivo criminoso: a anexação de grande parte da Cisjordânia. E os palestinianos também estão legitimamente em guerra com Israel. Pois é, para mim um atentado contra Sharon não provocaria reacção diferente. De facto, hà alguns anos, os palestinianos assassinaram um ministro palestiniano. Sempre achei os protestos de Israel ridículos. Afinal, só os soldados é que morrem, enquanto o generais fumam charutos e se passeiam de cadeira de rodas?

Nota: É obvio que Sharon fez isto agora porque quer retirar de Gaza, mas não quer que os palestinianos cantem vitória. Ora, o importante é que Israel saia de Gaza, não os lideres do Hamas. Só nesta medida é que isto me satisfaz: é a melhor confirmação que Sharon quer mesmo sair do ninho de vespas. O problema é que a estratégia dele não é louca, como o Rui pensa. O que ele quer é negociar uma paz com um novo lider em Gaza, e apresentar isso como o prototipo da sua ideia de dividir a Cisjordania e negociar com lideres locais.
NA

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