Estrangeiros no momento
2004-04-21
 
De luto
Após longos dias fora da pátria amada, eis que ao regressar se enfrentam notícias dramáticas. Não, não falo da prisão de Valentim Loureiro, mas sim do adeus desse amado ícone de todos os frequentadores do IST.
Mesmo atrasado, o nosso luto é profundo.
NA
2004-04-02
 
Estratégias
Terminado (finalmente) o ciclo de política externa em minha opinião calamitosa de José Maria Aznar em Espanha aproveito para fazer um pequeno apontamento em nome de uma coisa velha e fora de moda chamada "o compromisso moral da esquerda".

O grande erro da estratégia de Espanha, de Italia, de Polônia e de Portugal, na gestão da questão da invasão de Iraque foi pensar que ganhariam importância no jogo cínico das grandes potências apoiando uma delas contra outras que lhe estão mais próximas. Confundindo além disso um valor funcional temporário com algo estratégico para os seus aliados norte americanos.

Será sempre algo muito inglório para as potências médias e pequenas buscar a sua valorização através de uma participação mais activa no jogo mal intencionado entre as potências mundiais. O que um compromisso moral de esquerda em termos de política externa tem para oferecer no plano estratégico para estas pequenas e médias potências, é um caminho claro para a resolução dos problemas mundiais, de forma independente das grande potências e que lhes valorize em termos globais. Isto é muito menos utópico e muito mais sensato do que possa parecer a partida.

Uma aliança entre aliados de dimensão política tão distinta nunca significou ao longo da história outra coisa que submissão ou eclipse dos mais fracos. Ao ritmo dos ciclos democráticos actuais mais curtos, isto é mais verdade que nunca. Ao passo que alianças entre países de dimensão mais próxima se revelaram sempre mais naturais, duradouras e muito mais consequentes.

Uma alianza deste tipo com sensibilidade de direita é improvável, porque não nos enganemos, o dinheiro está lá junto dos mais grandes onde sempre esteve. Precisamente por isso, a direita não se apresenta como uma opção de futuro para uma estratégia de política externa de um país mais pequeno nos tempos que correm.

Além do mais a esquerda se apresenta como a única com propostas que fogem a estratégia norte-americana que se revela cada vez mais como o motor de auto-alimentação dos problemas mundiais. A esquerda foi também a única que se apercebeu que foi precisamente a imoralidade das políticas passadas recentes do Ocidente, e principalmente dos EU, que nos levaram aos problemas actuais.

Sabemos que para os EU actual mesmo havendo sofrido o maior ataque da sua história, a contabilidade funcionou no momento de mudar a guerra de um terreno pouco lucrativo como era Afeganistão e Paquistão, para outros lados onde a guerra não estava mas onde havia petróleo. Sabemos da indiferença quase absoluta com que os EU e as grandes potências européias olharam e olham para desastres humanitários gigantescos (e de longe os mais importantes actualmente em termos de sofrimento e tragédia humana) em países “pouco interessantes” como os africanos. Lembremos Uganda...

Uma união de países pequenos e médios que demonstrem uma intenção real e sincera de solucionar os verdadeiros problemas do planeta poderia ser fatal para a importância de algumas destas grandes potências mundiais actuais, e sem nenhuma dúvida jogaria directamente em contra dos seus interesses.

Todos os “pensamentos estratégicos” que se constroem em contra disso nestes países médios e pequenos como Portugal e Espanha, não só são uma traição ao compromisso moral que a esquerda representa como são pensamentos que vão em contra dos interesses estratégicos destes mesmos países. RF

Powered by Blogger

Nedstat Basic - Free web site statistics