Estrangeiros no momento
2004-07-15
 
Branford Marsalis
E à terceira noite sucedeu o grande momento do festival, com o quarteto de Branford Marsalis



Branford Marsalis – saxofones tenor e soprano
Joey Calderazzo – piano
Eric Revis – contrabaixo
Jeff “tain” Watts – bateria

O concerto de Marsalis foi soberbo. Começou com um insinuante bolero no soprano, depois uma balada original com uma atmosfera à Wayne Shorter, e teve um momento esmagador com a interpretação de Gloomy Sunday, a balada de Billie Holiday. A partir daí o grupo partiu para uma performance intensa, com furias a la Mingus e momentos de free, sempre impulsionada por um espantoso Jeff Watts (o herdeiro de Elvin Jones e Tony Williams) na bateria. Momentos particularmente inspirados foram o agitadíssimo In The Creeze, em que o grupo tornou elástico um tempo impetuoso, e um swingante numero a la Monk. A não esquecer ainda o lirismo de Dinner For One, tocado de forma despojada, mas com um som magnífico, na linha de Don Byas.

A mestria de Marsalis vem da sua capacidade de absorver todos os modelos do passado, e destilá-los através de uma linguagem pessoal.
Mas nads disto seria possível sem o suporte de um grupo em estado de graça. A grupos como o Trio de Jarrett e o Quinteto de Holland, tem de se juntar este Quarteto. Quando Kenny Kirkland morreu, temi que este grupo desaparecesse. Depois, no Coliseu, vi que Marsalis tinha acertado na escolha de Calderazzo, muito inspirado em McCoy Tyner. Neste concerto Calderazzo atingiu um estilo pessoal, mais despojado e lírico, e confirmou estar à altura dos seus companheiros. O nível anterior do grupo foi superado.
NA

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