Estrangeiros no momento
2004-07-17
 
Clayton-Hamilton Jazz Orchestra
A grande revelação do festival aconteceu no penúltimo dia, com a muito agradavel surpresa que foi a Clayton-Hamilton Jazz Orchestra (CHJO):

TROMPETES
Bijon Watson
Eugene Snooky Young
Clay Jenkins
Gilbert Castellanos
Sal Cracchiolo

TROMBONES
Ira Nepus
George Bohanon
Ryan Porter
Maurice Spears

SAXOFONES
Jeff Clayton - alto
Keith Fiddmont - alto
Rickey Woodard - tenor
Charles Owens - tenor
Lee Callet - baritono

SECÇÃO RITMICA
Tamir Hendelman - piano
Jim Hershman - guitarra
Christoph Luty - contrabaixo
Jeff Hamilton - bateria
John Clayton – contrabaixo e maestro

As big bands provocam uma reacção estranha ao público de jazz. Largos sectores consideram-nas demasiado convencionais - anacronismos de uma outra era que sobrevivem só para deliciar saudosistas. Preferem o Miles clássico, o hard bop da Blue Note, as fúrias Coltraneanas, a fusão dos anos 70, ou os sons planantes da ECM. Carla Bley ou Dave Holland são o seu ideal de grande orquestra. Já para os que sabem que o jazz nasceu antes de Charlie Parker, as big bands são uma paixão, e os seus concertos são rituais imperdiveis. Ver uma big band é como observar uma equipa de futebol, em que cada elemento tem a sua função na estratégia colectiva, mas a inspiração individual pode fazer toda a diferença.

Eu, claramente, afirmo-me como fã de big bands. Nos últimos anos, tive a sorte de ver concertos bons e muito bons por várias big bands: o primeiro concerto que vi ao vivo foi a orquestra de Count Basie dirigida por Frank Foster; George Grunz presentou na Culturgest uma orchestra recheada de grandes solistas; o mesmo palco viu uma performance enérgica da Vanguard Jazz Orchestra; a libertária Mingus Big Band teve um desempenho notável no Seixal; sobretudo, Carla Bley e Dave Holand fizeram grandes concertos, muito prejudicados pela execrável sonorização do CCB.

O que posso dizer do concerto a CHJO é que nunca tinha visto uma big band tocar com tal empenho e intensidade. A comunhão dos músicos com o seu director e arranjador, John Clayton, foi total. Dave Holland terá todo um arsenal de solistas de topo, e Carla Bley uma biblioteca de arrranjos originais superlativa. A despretenciosa orquestra dirigida por John Clayton (mesmo que o irmão Jeff Clayton e o amigo Jeff Hamilton sejam co-lideres, não há dúvida de que John é a alma da orquestra) não tem tais recursos, mas atinge o mesmo nível! A orquestra tem um som entre a simplicidade de Basie, que homenageia explicitamente nos excelentes blues, e a sofisticação à Thad Jones, utilizada nos tempos lentos. A banda só tem três solistas de primeiro plano: O próprio John Clayton, quando deside tocar contrabaixo, o baterista Jeff Hamilton, o melhor baterista de big bang dos nossos dias, e o tenor de Ricky Woodard, que evoca com gosto e paixão o som dos grandes clássicos. Mas todos os outros deram o máximo e foram muito bem usados. Um exemplo é o veterano Snooky Young, que aos 85 anos arrancou um grande solo em surdina no blues inicial. Porém a força desta equipa é o jogo colectivo, e é um jogo bem ofensivo. A elegante mas férrea direcção de John Clayton aliada a um empenhamento colectivo total levaram a CHJO ao mesmo nível da banda de Basie de 55-60!

O Marsalis ja eu sabia que ia ser bom... Agora estes, sim senhor, que revelação!
NA


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