Estrangeiros no momento
2004-08-08
 
Improvisações em Agosto
Por mais que eu lamentasse a direcção estética da Gulbenkian, a edição do
festival de 2000 foi histórica. Foi o maior evento de música improvisada na
Europa, e um dos melhores do mundo. Ficou desde logo clara a matriz do
festival, entre a escola de Chicago da AACM (Association for the Advancemant
of Creative Music) mais académica e a música improvisada europeia de índole
similar. Nesse ano vieram os melhores e os piores: Leroy Jenkins e o histórico
Joseph Jarman. O detestável Anthony Braxton. O creativo Misha Mengelberg e o
seu dispensavel parceiro Han Benninck. Os estimulantes Ray Anderson e Gary
Valente desperdiçados num quarteto de trombones. O excelente Ellery Eskelin e
o gratuito Peter Brotzmann. a estrela Ken Vandermark,
Hugh Rangin, Graham Haynes, e muitos outros...

Infelizmente este gigantismo era insustentável
Ainda assim o festival de 2001 teve os excelentes
Roswell Rudd e John Tchicai, representantes do free jazz libertário dos anos
60, muito longe do estéril academismo da linha Braxton. Também veio o
histórico Henry Threadgill. Em 2002 o melhor lado da escola de Chicago
deu-nos Fred Anderson acompanhado por Hamid Drake. Em 2003 o destaque foi
para outro histórico, Julius Hemphill.

E chegamos a 2004. Este ano podiam ter variado. Podiam ter aproveitado a vinda
do prolífico David Murray, que este ano veio a Sines com Pharoah Sanders!
Como seria bom ter em Lisboa esta torre do free mais espiritual, um músico
com verdadeira alma, tão longe da esterelidade e frieza da música improvisada.
Mas era certo outra dose de AACM...
NA


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