Estrangeiros no momento
2004-08-29
 
Michael Moore


Só agora vi finalmente o último filme de Michael Moore "Farenheit 9/11". Lembro-me quando vi o anterior "Bowling For Columbine" em Madrid, que todos se levantaram na sala ao final do filme aplaudindo, mais tarde ele ganharia o óscar. Como não vi os restantes documentais em concurso me pareceu aceitável que ganhasse o prêmio. O mais interessante do documental era o seu sentido de humor e a sensibilidade particular do autor a contar histórias e crear as situações que vai filmando em lugar de somente filmar situações. Sem ter visto o filme que o trouxe a ribalta "Roger & Me" sei que o mecanismo já estava aí, crear a situação e filmar-la para contar uma história que vai em paralelo e que é realmente aquela que se quer contar. Sem demasiadas subtilezas, mas com um minímo de inteligência e sensibilidade para que seja importante ver.
Com "Bowling for Columbie" a intelectualidade européia se divertiu com o seu discurso do Oscar, para depois e principalmente a propósito dos seus livros passar o tempo todo a dizer que "na verdade ele é de uma superficialidade enorme", que "é Noah Chomsky para criancinhas", que "não sabe escrever", que "é multimilionário", bla, bla, bla. Tudo coisas que ele é o primeiro a admitir sem que ninguém lhe pergunte...
Com este último filme que todos se fartam de dizer que já tem uma tese inicial prévia (como se houvesse outra maneira de ter uma tese...), etc, etc, ele me surpreendeu. O mecanismo mudou, e o sumo aumentou drásticamente. Pela primeira vez apareceu de um modo integrado, detalhado e amplo uma crítica voraz a esta administração americana. Michael Moore fez o trabalho que os jornalistas e a oposição do seu país (e não só!) não souberam fazer ou não quiseram fazer. Este filme merece mais um Oscar que o anterior digam o que disserem. Pelo menos Cannes e Tarantino souberam reconhecer-lo.
O filme tem momentos perfeitos que chegam a ser artísticos. A forma como ele apresenta a tragédia do 11 de Setembro talvez o mais impressionante neste aspecto. O que a intelectualidade europeia não soube aceitar (pelo menos grande parte dela...) foi a absoluta ausência de pedantismo que existe na maneira de Michael Moore expressar-se, a sua absoluta honestidade.
O homem é grande em todos os sentidos. Precisava dizer-lo.
RF

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