Estrangeiros no momento
2004-08-08
 
O protagonista
O outro pilar da AACM que ainda não veio à Gulbenkian é Muhal Richard Abrams.
Este rigoroso lider de orquestra é uma referência indispensável. Não estaria
disponível? Não o sei, mas talvez para compensar este ano veio o seu discípulo
George Lewis. Ora Lewis será um músico interessante e criativo, mas não é um
nome apelativo. Quem já gosta ficará contente, quem não conhece não será
atraido.

A entrevista que deu ao Expresso mostra uma personalidade acessivel, longe dos
delírios de Taylor ou Braxton, mas de perfil decididamente académico. Considera
os escritos de Braxton difíceis, mas dá-lhes crédito... para quando os fãs da
creative music desistirão dos delírios de Braxton? A certa altura declara
que a sua música não é swing. Parece-me que ele quer dizer que não é o swing
da época clássica, mas ainda assim é uma declaração bizarra porque o swing é
muito mais do que esta definição estreita. É toda uma atitude em relação ao
tempo. Elvin Jones, um baterista que não mantia um tempo regular, swingava
intensamente. E George Lewis, swinga?A sua posição torna-se
clara quando aborda a experiência na orquestra de Count Basie. Lewis acha
que já nada de criativo pode ser feito nessa linha. Claramente devia ouvir a
Clayton-Hamilton Orchestra... Em todo o caso, devo dizer que Lewis me deixou
curioso!
NA


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