Estrangeiros no momento
2004-09-21
 
Bandeiras

No Barnabé soubemos isso.
É óbvio que a história é desgraçada, desgraçada para Portugal. Cheira mal e não é a queimado. Mas deveríamos dar o devido crédito de tirania a outras partes da questão que então se manifestava. Não a quem queimou a bandeira por queimar-la. Queimar bandeiras e uniformes é uma representação pública contra qualquer tirania.
Mas e as touradas? E o desejo de impor-se a comunidades que celebram touradas para que deixem de fazer-lo? Quanta tirania existe neste desejo? E mais ainda no vegetarianismo militante que condena aos demais o seu apreço pela carne? E como fazem concordar os militantes anti-touradas esta sua militância com o apoio que grande parte deles (principalmente na esquerda portuguesa, dita radical) dá a liberalização do aborto? Quão frágeis serão eventualmente os subtis argumentos que se utilizem para obter esta concordância? Quantos problemas são sacrificados por estas pessoas na eleição do conjunto de manifestações possíveis ao empreender tanto esforço nesta batalha em contra das touradas? Quanta tirania quer o espírito humano para que este vão desejo de mandar se possa esconder subrepticiamente em qualquer parte?
Penso agora na questão da proibição do véu em França outro exemplo, muito mais grave, de como desejos aparentemente liberais e que dizem querer lutar contra determinados preconceitos, escondem mais preconceito e autoritarismo que aquilo contra qual lutam. Finalmente penso em Kundera de "A Arte do Romance" a propósito de símbolos:
O homem é uma criança perdida - para citar novamente o poema de Baudelaire - nas <<florestas de símbolos>>.
(O critério da maturidade: a capacidade de resisitir aos símbolos. Mas a humanidade está cada vez mais jovem.)

E finalmente, para compensar em tom jovial, como se queima uma bandeira em um blog?
RF

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