Estrangeiros no momento
2004-09-12
 
Da inteligência do cristianismo


Li isto em "Humano, Demasiado Humano" de F. Nietzsche. Na minha opinião um dos livros mais importantes alguma vez publicados. Uma pérola que parece querer dizer em quase todos seus paragráfos que todos os iluministas e filósofos depois de Cristo existiram para fazer-lo possível. O que me veio a cabeça, imediatamente, foram todos os "Padrinhos" de Coppola, todos os Scorceses, o "Funeral" de Ferrara... Este alemão de finais do século XIX explicava (antes mesmo que existisse) a máfia siciliana e italo-americana com um minímo de palavras...

"É um truque do cristianismo pregar tão alto a complexa indignidade, propensão para o pecado e baixeza do homem em geral, que, assim, o desprezo dos outros homens já não é possível. <<Ele pode pecar quanto quiser, nem por isso se distingue essencialmente de mim: sou eu, que, de qualquer maneira, sou indigno e desprezível>>, é o que o cristão diz a si próprio. Mas também ste sentimento perdeu o seu espinho mais aguçado, porque o cristão não crê na sua vileza individual: ele é mau como o homem em geral e tranquiliza-se um pouco com a máxima: <<Todos nós somos do mesmo género.>>"
(Humano, Demasiado Humano; F. Nietzsche; tradução de Paulo Osório de Castro;Relógio D'Água, Outubro de 1997)
RF

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