Estrangeiros no momento
2004-09-09
 
Olá Ana!
Um virús em forma de comentário a post em blogs portugueses diversos finalmente nos visitou no último post.
Imagino que eventualmente a pobre Ana Albergaria (ver Crónicas Matinais), cujo nome aparece no comentário, não tenha nenhuma culpa nesta infecção geral. De qualquer forma um pouco de investigação me levou a descobrir o seu site. Como ela aparece muito preocupada com um antisemitismo crescente, e para que não haja dúvidas sobre o conteúdo deste blog, vou escrever este post, com o risco de dar uma razão que não merece ao comentário do post anterior que lhe inspira.
Antes de continuar digo desde já que o que se segue são verdades óbvias e banais, nada de original, mas sempre verdade.

A cultura judaica, ou seja, a cultura que acompanha em geral aqueles que professam a religião judaica (recuso-me a utilizar a palavra hebreu... que lembrando Primo Levi é racista desde o Holocausto) é sem sombras de dúvidas das culturas mais fundamentais para a humanidade, quer por si mesma quer pelo que potencialmente gerou na forma de culturas subsequentes. O cristianismo e a cultura ocidental europeia deve metade de tudo aos judeus. O Islamismo, e a cultura muçulmana como tal, também.
Assim que é talvez o único caso juntamente com os gregos talvez, de um povo relativamente pequeno que tenha sido tão importante para a história da humanidade.

A base mental do judaísmo, com o seu profundo ênfase na leitura mais que na memorização descerebrada de textos religiosos difere absolutamente das outras religiões do Livro, e terá sido provavelmente fundamental para a história do pensamento ateu europeu moderno. A influência fundamental gigantesca que grandes judeus tiveram em quase todas as áreas "mais nobres" da actividade humana é absolutamente desproporcionada em comparação com a sua representação numérica e sugere claramente uma superioridade intelectual da vida cultural média dos seus representates em comparação com outras culturas.

Bastaria dizer que para século XX homens como Einstein, Freud ou Kafka dão já uma visão superficial do quanto toda a humanidade deve a essa cultura.

Agora vem Israel. Israel foi um projecto dúbio nos seus principios: inventar um país num territorio alheio. Mas isto é passado e Israel está aí há já suficiente tempo para ter toda a razão de seguir estando como todos os países da zona. No entanto a sua política de conquista de novos territórios, de desrespeito pelos direitos dos residentes palestinos, foi e é de tal modo brutal que representa uma traição essencial ao espírito cosmopolita e humanista das antigas populações judaicas. E não são aceitáveis desculpas ou justificações com base no Holocausto, se bem que de um ponto de vista histórico possam existir explicações deste tipo. E tão pouco vale contar a história sempre desde o ponto que se quer, desde o último atentado palestino, em vez de começar pelos ataques brutais do exército israelita que o antecederam ou sucedem.

O conflito israel-palestino é demasiado fundamental, e o facto de a chave do conflito estar nas mãos de Israel que detém todo o poder relativo é demasiado óbvio, para justificar que esta questão tenha o ênfase que tem, e que não é portanto gerado por qualquer forma de antisemitismo.
RF

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