Estrangeiros no momento
2004-11-28
 
É claro que é o sexo, estúpido
Para entender porquê o multiculturalismo não é solução para o conflicto de culturas, basta comparar Brasil e Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, ninguém é americano, mas apenas "americano de um determinado tipo": afro-americano, ou americano-branco-homem, ou hispano-americana-lésbica, nipo-americano-bissexual, nativo-americano-muçulmano, etc. A expressão cultural do individúo se faz de maneira sempre a defender os direitos da minoria em que se sente incluído este individúo. E todas as correntes culturais transgressoras destas normas, e que realmente buscam a integração de todos com todos gerando cultura, terminam por terem pouca repercussão popular exceptuando raras e nada pacíficas excepções. O multiculturalismo americano é a fórmula que a população anglosaxônica branca protestante original encontrou para conseguir manter-se pura e não miscigenar-se, ou reduzir esta miscigenação ao minímo grau possível, ao largo dos város fluxos migratórios "sofridos".
No Brasil são absolutamente a excepção e nunca a regra os casos de populações originais com um alto grau de sobrevivência das culturas originais trazidas de Europa, e que se tenham conseguido "manter puras". No Brasil as fórmulas compostas de ser-se brasileiro não vingaram, e todos continuam sendo basicamente brasileiros.
O caso mais óbvio porque o mais importante de imigração análoga entre Brasil e os EUA é o dos negros escravos. Enquanto que nos Estados Unidos os negros possuem um alto grau de consciência de grupo no Brasil esta consciência não existe ou quase não existe.
Uma vez vi uma entrevista de um historiador brasileiro que dizia que tudo isto se explica pelas diferenças entre a colonização branca original dos EUA e do Brasil. Os EUA foram colonizados por famílias britânicas, o Brasil por homens sózinhos portugueses. Os colonos britânicos puderam e naturalmente se preocuparam em manter a sua cultura no contexto familiar que viviam. Os portugueses não. Os britânicos não se mesclaram tanto com as escravas porque sempre tinham suas esposas. Os portugueses não tinham outro remédio.
[Há um outro lado da questão que é o facto de provavelmente por existir este contexto familiar de suporte, os colonos britânicos eram em geral muito menos violentos com os negros que os portugueses, o que se reflectia na esperança de vida dos escravos...]
Assim foi o sexo, e não mesas redondas de troca de experiências culturais(que é no que eu penso quando leio coisas como cosmopolitismo e trans-culturalismo...), a chave para entender a mistura cultural (que antes de tudo é portanto racial) brasileira, e para o isolamento inter-cultural que é o multi-culturalismo americano. O sexo e mais nada.
Não é á toa que o símbolo nacional do Brasil é a mulata...
Para rematar uma proposta realmente honesta, ainda que nada séria, de promover a integração das culturas originais com as novas entrantes na Europa actual, seria incentivar os casamentos inter-raciais com alguma espécie de subsidio, ou então que os filhos mistos tivessem subsidios maiores que os puros. Algo assim...
RF

Powered by Blogger

Nedstat Basic - Free web site statistics