Estrangeiros no momento
2004-11-06
 
A invasão que vem de dentro II

Li isto em um artículo da "Folha de São Paulo" de Kennedy Alencar ("adoro nomes/.../nomes de nomes como/Scarlet Moon Chevalier/Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e/Maria da Fé/" e poderíamos juntar a canção de Caetano este "nome de nomes" novo: Kennedy Alencar).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva julgou mais vantojoso para o Brasil a reeleição de Bush. Antes da eleição, o brasileiro chegou a dizer em conversas reservadas que o republicano era "melhor" para o Brasil do que o democrata.

O Kennedy Alencar depois deste páragrafo acha estranho esta preferência de Lula. Mas a verdade é que é muito fácilmente descifrável. Acontece que graças a política de Bush o ter levado a duas ocupações militares importantes no Médio Oriente (Afeganistão e principalmente Iraque) descobriu-se que o que já se desconfiava que Estados Unidos não possui actualmente em condições normais (sem recorrer ao serviço militar obrigatório nomeadamente) somente com a ajuda de alguns países (sendo claro, somente com a ajuda de Inglaterra) de enfrentar-se com sucesso e eficiência a mais de um cenário importante de guerra ou ocupação em simultâneo. Entre outras coisas ter tornado isto evidente provocará danos na política externa americana gravíssimos, e já está provocando danos relativamente importantes. Nomeadamente no Haiti, que havendo pertencido sempre a esfera de influência americana, tem a sua ocupação por tropas internacionais dirigida por tropas brasileiras. Como quem não quer a coisa Lula, graças a ser Bush o presidente americano, conseguiu uma evidência a título de política exterior na América do Sul, e não só, que é para todos os efeitos novidade na história do Brasil.
Mas mais que isso, o facto de estar Bush na presidência dos Estados Unidos desperta anticorpos na população européia que facilitam o trabalho dos partidos de esquerda europeus para chegarem ou manterem-se no poder, o que termina por abrir mais canais accesso a Lula no diálogo com Europa, determinante para a política de duplo amante do Brasil com a Europa e Estados Unidos, e que visa libertar na medida do possível a economia brasileira da dominação pelo gigante americano.
O pensamento de Lula é assim muito mais facilmente descodificável do que pensa o amigo Kennedy Alencar. Mesmo porque quando ele refere que nunca chegaram as prometidas ajudas pela mão do presidente Bush, se esquece que nada garantiria que essas chegassem pela mão de um hipotético presidente Kerry...
RF

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