Estrangeiros no momento
2005-01-27
 
O lado bizantino da esquerda
O império bizantino se deliciava com discussões várias e tão fúteis como autodestructivas. Em grande parte se bem que não totalmente isto levou a sua queda, ao provocar o cisma religioso com Roma (se bem que também para isso houveram outras razões), e daí a fatal cruzada do século XIII, além dos vários e contínuos ataques vindos de Oeste e a falta de solidariedade vindo do mesmo lado contra a ameaça oriental. Tudo isto acabou por levar o império medieval mais importante a sua fatal queda.
A esquerda ao contrário do que é hábito na direita é "demasiado" plural, e também gosta de discutir coisas tão importantes como detalhes subtis sobre a santissima trindade, e a sacralização de imagens, e outros misticismos. Discutimos se é verdade que um determinado texto esconde ou não formas inconscientes ou conscientemente traiçoeiras de xenofobia, de direitismos maternos, bla, bla, bla. Somos sociais democratas, socialistas, trotskistas, comunistas, marxistas, leninistas, estalinistas, maoístas... Vamos, que mesmo os de Bizâncio nos teriam inveja. Nos perguntamos se o travestismo deve ser respeitado, ou deve ser defendido, ou deve ser propagandeado, ou apiedado. Se todas as nossas mais bem vestidas ou mais mal vestidas, graves e benignas esquizofrenias se apanham estando vivos ou por estarmos vivos. Tudo conforme o grau de barroquismo e de carnavalesco que levemos dentro, e o tempo que nos separe da última revisão da obra de Almodovar.
A direita continua lá e sempre e infelismente aqui, ciente do que "é importante". A direita se transforma pela necessidade e não pela vontade. Essa é a sua força e a sua fraqueza, pois também na diversidade das nossas escolas de samba social que conduzem a la britânica existe uma força no mesmo lugar onde existe uma fraqueza.
Nietzsche já nos explicou que o bem e o mal não existem e a qualidade e o defeito são conceptualmente o cisma mental que advém do nosso misticismo inerente na avaliação de todas as coisas. É que Nietzsche era de esquerda e era de direita e não sabia o que era e queria saber pois era socrático e odiava a Sócrates e terminou louco.
Luis Rainha saiu do blog de esquerda. O blog de esquerda será inevitavelmente menos bizantino e portanto menos de esquerda...
É quase carnaval!
RF

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