Estrangeiros no momento
2005-01-31
 
Uma luz ao fundo do túnel
Após tanto tempo sem postar nada, tenho de dizer algo sobre as eleições no Iraque. Eu não fui contra esta guerra desde o início. Embora não me agradasse, a remoção de Saddam Hussein pela força sempre me pareceu a opção que traria a normalidade ao Iraque o mais rapidamente possível. Também não me agradava, mas não me repugnava que a guerra fosse feita sem aprovação da ONU, desde que tivesse a aprovação das democracias. Quanto às AMD, eu achava que o Iraque as procurava, mas isso nunca me pareceu justificação para uma guerra: este tipo de ameaça combate-se pela contenção e dissuasão, não pela guerra aberta. A minha rejeição começou quando a incompetência e arrogância diplomática dos EUA os levou ao isolamento perante aliados. Tornou-se então claro que esta intervenção poderia ir para a frente, mas seria um desastre político. Assim aconteceu, os EUA venceram a guerra, mas não tinham qualquer ideia para o pós-guerra. Após tentarem uma inábil admnistração directa, os EUA acabaram por ser forçados a corrigir o rumo, e aguentar um governo fantoche até estas eleições, que são a primeira centelha que se acende para o futuro do Iraque. Fizeram bem em não adiar - eleições nunca se adiam!

Quando um doente cardíaco apresenta sintomas de bloqueio coronário, os médicos americanos preferem a cirurgia de by-pass. Mais a norte, no Canadá, o tratamento preferido são medicamentos anticoagolantes. Os doentes canadianos não se dão mal, a esperança devida é maior no Canadá. Para o cirurgião, o by-pass será um desafio muito mais estimulante (e lucrativo). Mas se o médico erra no antibiótico e permite que o doente desenvolva uma infecção? Resta esperar que o sistema imunitário reaja. No Iraque essa resposta começou. Se tudo correr bem a infecção será debelada. Mas se a resposta for muito forte, pode acabar tudo em reacção alérgica...
Nuno Anjos

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