Estrangeiros no momento
2005-02-24
 
O menino perdeu o brinquedo
O menino perdeu o brinquedo e quase chorou. A voz tremia, mas ele se aguentou e a lágrima não apareceu. É um menino grande, dizem. Dizem que naquele momento foi grande. Fazer o óbvio e não o absurdo (como tentou outro...) já é coisa louvável no Portugal actual.
Como um menino lingrinhas qualquer ficou contente de não ter sido último na corrida do bairro. Por ganhar ao seu irmão. Por ser o menos lingrinhas dos dois.
O menino que falou mal da Europa, que queria um país de vendedoras de peixes, e seus mercados. Que como Salazar preferia que Portugal fosse pobre e miserável a que mudasse de cara. Pelo menos era o que dizia para conseguir os votos das vendedoras de peixe e dos salazarentos. O menino que depois afinal já queria Europa quando lhe deixaram chegar ao poder, limitando-se finalmente a ser um subalterno de Bruxelas qualquer, a não ser, é claro, quando estivesse em jogo a vida de crianças indesejadas por quem sem as desejar as ousa fazer.
O menino chorou em casa baixinho. Lhe tiraram o brinquedo. A ele, que esperava que um dia o brinquedo dele fôssemos todos nós.
Obrigado a todos por lhe terem tirado o brinquedo a este menino e seus amigos chorões.
RF
2005-02-18
 
Carnaval nas Neves
Mesmo que venha a perder o Santana, a pátria continua cheia de foliões. Ora leiam aqui a fascinante entrevista de João Cesar das Nevas ao Independente desta semana!
Nuno Anjos
 
Impressões da campanha
Agora que a campanha terminou, só umas notas escritas num estilo corrido, sem preocupações de objectividade, para ler no dia de reflexão:
1) A campanha foi muito mole. O governo de Santana Lopes foi demasiado curto para gerar ódios. O seu desempenho ficou marcado pela comédia, não pela contestação. A tragédia foi evitada a tempo e as instituições mantiveram um funcionamento normal. A unica falência flagrante do estado (o concurso dos professores) já vinha de trás, nem foi objecto de campanha. O estado português revelou que consegue sobreviver sem liderança política, um pouco como sucedia repetidamente em Itália. E que a constituição fornece os meios que permitem evitar o descarrilamento quando o maquinista está morto.
2) Porém existem áreas onde a ausência de discussão dos problemas revela uma verdadeira anestesia da (ainda) oposição. A direita sempre fez da segurança pública uma sua prioridade. Ora o governo Barroso assistiu incompetentemente à maior temporada de incêdios de que há memória. E os números da criminalidade mostram que a política criminal faliu. Porque é que a esquerda não fala disto? O recente assassínio de um polícia na Cova da Moura foi recebido por Santana e Portas com apelos ao não aproveitamento político. Faz rir quando nos lembramos do escarcéu causado pelo assalto a Lídia Franco na CREL ao tempo de Guterres. É claro que neste caso a repressão policial é só um paliativo necessário mas de difícil aplicação. A pergunta que deve ser feita é porque é que a Cova da Moura ainda existe. Não há dinheiro para reconverter aquele bairro e todos os outros bairros clandestinos da Amadora. Porque é que a terceira cidade do país não existe? O que fez o famoso Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional ( sim, o nome do bicho é MCALHDR)
3) Outras áreas onde a política deste governo não existe são a Ciência e a Cultura. Ontem o S. Carlos anunciou o fim da temporada. Hoje, o anuncio é moderado, mas é óbvio que a temporada está em risco. Hoje também se soube que Portugal ainda não pagou as quotas dos laboratórios internacionais. E mais, o orcamento actual não prevê nenhum pagamento este ano! Como classificar um orçamento que não prevê o pagamento de despesas resultantes de tratados internacionais? E se Portugal deixasse de pagar as comparticipações para a UE, NATO ou ONU? O problema é sempre o mesmo: falta de dinheiro... mas Paulo Portas tem dinheiro para encomendar submarinos, helicópteros, blindados, armar-se em recuperador das indústrias de defesa à custa dos contribuintes, ... E na campanha ninguem lhe atirou isso à cara.
4) Portas, claro, com tantas abébias dadas pelos adversários (a maior das quais pelo PSD, com o acordo pré-eleitoral), tem feito uma boa campanha. É indiscutivelmente um político inteligente, mas tem uma aura maquiavélica que não consegue ultrapassar. A outra boa campanha foi a de Jerónimo de Sousa. Como já foi amplamente notado, Jerónimo consegue gerar uma genuína simpatia. É o estalinista que nos toca o coração. Eu ainda me lembro dizer que os comunistas matavam os velhotes com uma picada atrás da orelha (eu ouvi mesmo isto, não é tanga!). As voltas que o mundo dá são muito irónicas.
5) Sofríveis têm sido as campanhas de Sócrates e Louçã. Sócrates procura passar despercebido e não discute propostas concretas. Não quer comprometer as suas hipóteses e sabe que a realização do seu programa, e a composição do governo, estão dependentes de ter ou não maioria absoluta. É a política mais prudente, e mais inteligente para quem está na sua posição. Tem o meu apoio, mas não fez nada para o conquistar. E, de facto, não me conquistou, mas também não foi rejeitado. Já Louçã torna-se dia a dia uma figura mais irritante. Já nem consigo suportar aquela voz aspirada. Eu até concordo com muitas das propostas dele, mas não dá. É a mesma sensação que muitos eleitores americanos devem ter sentido em relação a John Kerry. E como levar a sério um político que diz não querer ir para o governo?
6) E de volta a Santana... Ontem foi entrevistado no programa da 2 "Diga Lá Excelência". Foi certamente das mais bizarras entrevistas a políticos que eu já vi. Geralmente nestas entrevistas o político procura manter o controlo e debitar a sua agenta eleitoral. Não Santana Lopes. Refastelado na cadeira, Santana manteve uma conversa com os jornalistas que se aproximou da psicanálise. Um dos jornalistas leu-lhe a inacreditavel carta que eu citei no post anterior. E perguntou-lhe se ele, que é parte do sistema político desde sempre, se achava alguém fora do sistema. Santana achava que sim, que tinha muito em comum com o povo, e até podia comparar a sua declaração de rendimentos com o jornalista. Havia uma barreira de incompreensão notória entre as duas partes, como se estivessem em realidades diferentes. Os jornalistas olhavam Santana como se olha um doente mental, quando Santana repetia múltiplas vezes que não achava ter cometido erros graves.
7) No domingo saberemos se o PS tem ou não maioria absoluta. E poderemos deixar para trás estes meses surreais
Nuno Anjos
2005-02-16
 
Mais Carnaval
Hoje chegou à minha caixa de correio este texto:

"Caro (a) Amigo(a)
Não pare de ler esta carta
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Portugal precisa do seu voto para fazer justiça.
Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.
Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema.
Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?
Também o tratam mal a si. Já somos vários.
Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!
Por todos nós, Pedro Santana Lopes"

Eu não tenho dúvidas em responder a este apelo! Eu vou votar!
Nuno Anjos
2005-02-09
 
Viva o Carnaval!
Para celebrar o Carnaval, nada como um grande clássico da comédia: o já lendário video do hino oficial da campanha do PSD pode ser descarregado a partir daqui.
Nuno Anjos

Correcção:
O Rui Sá tem razão no seu comentário: este video de campanha não deixa de ser também um clássico, mas o video que já entrou na lenda é o superlativo Guerreiro Menino!
Nuno Anjos
2005-02-08
 
Declaração de amor


Esta série de belezas inglesas termina com aquela que é a minha preferida, a minha diva: Kate Winslet! Uma mulher genuína, de sorriso espontâneo e que sendo, na expressão de Aldous Huxley, "muito pneumática", consegue ser mais elegante que qualquer outra actriz da nossa geração. A Kate, que faz trinta anos este ano, já tem dois filhos e uma série de bons filmes feitos! Começou aos 17 no primeiro filme a sério do Peter Jackson, o realizador do Senhor dos Aneis. Tornou-se conhecida em todo o mundo com o famoso Titanic, de James Cameron. Nunca fui grande fã deste filme, mas convenhamos que está milhas acima de qualquer um dos subproductos de Michael Bay. O mais importante veio a seguir, pois a Kate optou sempre por filmes interessantes, com papeis importantes e empenhados. Tudo de melhor para ela!

No fim disto não fiquem com a impressão de que acho as inglesas as mais interessantes (só a Kate Winslet). Como Maurice Chevalier canta em Gigi, "Thank Heaven for Little Girls", de qualquer nacionalidade. Especialmente italianas... mas não vamos mais por aí!
Nuno Anjos
2005-02-06
 
Mulher! Objecto?


É quando as estrelas de cinema começãm a ter a nossa idade (ou a ser mais novas) que verdadeiramente vemos o tempo passar! Pois a bela Kate Beckinsale é nossa contemporânea. Esteve em Oxford, desempenhou papeis interessantes em filmes ingleses, e saltou para Hollywood, onde depois de alguns papeis em filmes pequenos aterrou no ridículo Pearl Harbor. A sua beleza era o melhor do filme. E tem sido a sua beleza e juventude a empurrá-la para figura de filmes de acção. Neste momento está em O Aviador, onde faz de Ava Gardner. A crítica não tem sido favorável: Kate é muito bela, mas tem um ar demasiado inocente para retratar o lado mais duro de Gardner. Talvez a crítica esqueça que esse lado duro foi mais evidente a partir dos anos 50, e não no anos 40 retratados no filme. Mas ainda não vi o filme e não sou especialista... A ver vamos se a Kate continua a exibir a sua beleza em grandes espectáculos (o que já é muito bom!) ou recupera o talento que mostrou nos filmes mais pequenos.
Nuno Anjos
2005-02-05
 
Mulher Objectiva


Rui, acho que pelo menos a ti te consegui estimular, nunca pensei que umas inglesinhas desencadeassem tal turbilhão de ideias! Tens razão quando achas as fotos um pouco necrófilas, afinal até agora só apareceram exemplares um pouco fora de prazo... digamos que já não férteis. Mas como é obvio que estás a pensar na hipótese da paternidade, tenho então de te dar algo mais fresco.

Aqui segue a Elizabeth Hurley, que este ano passa a quarentona. Tal como a Bisset, Hurley foi modelo. Nunca teve tanto sucesso como as Crawford, Cambpell ou Schiffer, mas a verdade é que no cinema se portou infinitamente melhor elas. Enquanto muitas modelos (e pretensos actores) têm desempenhos confragedoramente amadores no cinema, todos os desempenhos que vi da Hurley (não muitos, e só na televisão) foram absolutamente profissionais e correctos (pelo que li, ela teve formação como actriz). Mas também não teve um sucesso espectacular, pois é relegada para papeis decorativos. Na verdade é mais conhecida pelas suas aparições nos tabloides... é o que se chama uma "figura pública". Conseguirá algum dia a mulher que disse matar-se se fosse tão gorda como a Marilyn algum palel memorável?
Nuno Anjos
2005-02-04
 
Hable con ella
A mulher na foto está em coma, morta e viva ao mesmo tempo. Há quem fale com fotos. Há algo de necrofilia nisso das fotos. Começo a pensar em "Hable con ella" de Almodóvar. Descubro os 6 elementos/acontecimentos que serviram de base para Almodóvar escrever o argumento do filme:

Acontecimento 1 - Depois de dez anos, Patrícia Whit Bull desperta do coma que ingressou ao dar à luz ao seu quarto filho. Os médicos diziam que seu quadro era irreversível.

Acontecimento 2 - Na Iugoslávia, um jovem vigia do IML sente-se atraído por uma jovem moribunda. Infestado pela solidão, deixa-se tomar por seus instintos e a possui. Imediatamente ela volta à vida. Era cataléptica. Apesar de a família da moça estar grata ao rapaz, não pôde impedir sua prisão. Para a justiça, ele era apenas um estuprador, um tanto mórbido, mas um estuprador como outros.

Acontecimento 3 - Em Nova Iorque, uma garota que estava há dez anos em coma aparece grávida. O enfermeiro é culpado. Como pode um corpo clinicamente morto gerar a vida?

Acontecimento 4 - Um momento de extrema beleza, principalmente inesperada, faz lágrimas caírem. Lágrimas mais próximas da dor do que do prazer.

Acontecimento 5 - Desde que um certo cineasta assistiu Chucky, sonha em fazer um filme com um anão no qual os pés dos móveis e a textura do chão fossem o que mais chamasse a atenção do espectador.

Acontecimento 6 - A lembrança de um grande amor.

(fonte: http://www.bonde.com.br/topmagazine/top_40/almodovar.htm)

Por isso não guardo fotos delas, não vá o diabo tecer-la e num momento de fraqueza faço-lhe um filho á foto, e a foto desperta...
RF
2005-02-03
 
The French Touch


O Rui bem tenta despertar o nosso cérebro, mas o rumo está definido e os próximos posts vão ser prova disso. Pelo nome, muitos a julgam francesa, mas Jacqueline Bisset é genuinamente inglesa. Jacqueline começou como modelo, mas foi uma actriz sólida, e a sua carreira nos anos 70 teve bons desempenhos. A sua aparição em The Deep fez os sonhos de uma geração. Acabou relegada a um cinema industrial, chegando a participar nos naufrágios de Zalman King, mas manteve sempre um profissionalismo impecável.
Nuno Anjos
 
Beleza Britânica Trotskista
Para a lista do Nuno Anjos eu adicionaria uma Senhora bela e que cada ano se faz mais bela (ao contrário de uma das escolhas anteriores do Nuno...), e ainda por cima é trotskista. Falo de Vanessa Redgrave, é claro.

Se puséssemos música de fundo com as fotos: Taylor poderia soar com Tom Jones de fundo, Julie com Beatles, Vanessa com Haendel... Esta foi a minha pequena contribuição antes de que fundindo pouca música e pouca imagem aparecesse por estas bandas uma spice-girl qualquer.
Ah... em coerência com a linha editorial imposta por Nuno, confirmo, Vanessa é londrina.
RF
2005-02-02
 
Da Índia, com amor


A segunda inglesa de estalo é Julie Christie. Christie, que foi um dos grandes ícones dos "swingin' sixties" britânicos, nasceu na Índia. Foi idolatrada como Lara, mas hoje está injustamente esquecida. O seu aspecto nórdico contrasta com uma personalidade intensa que se reflete no seu trabalho. O seu corpo segue a linha "Olívia Palito" tão associado às inglesas, porém... que palito magnífico! Já passou há muito os sessenta e continua uma mulher sedutora.
Nuno Anjos

2005-02-01
 
Gata em telhado de zinco quente


A primeira tentativa de demonstrar que a beleza feminina existe em Inglaterra (e de aumentar o número de leitores deste blogue, talvez os próprios autores se sintam estimulados a uma colaboração mais intensa...) começa com Elizabeth Taylor. Não, aquela que foi a noiva americana não é americana, é londrina!
Nuno Anjos
 
Missão impossível
E agora que já escrevi sobre as eleições iraquianas, posso passar a algo mais importante! Para os leitores que não saibam, relembro que este blog é animado por leftistas: somos todos antigos alunos da LEFT. E no fim do ano passado realizou-se um jantar de Natal leftista em que só faltaram o Rui, em expedição turca, e o Guilherme (por onde andas?). Magnos assuntos foram discutidos em tal jantar. Por exemplo, eu e o André concluimos termos falhado a nossa vocação, pois seriamos óptimos candidatos a comentadores televisivos no mais puro estilo Nuno Rogeiro... Frustrados por esta descoberta, dedicámo-nos a uma típica actividade anti-stress - dizer mal da Inglaterra, esse prado de vacas enevoado onde o André reside antes de regressar à civilização. Eu, que da Inglaterra só conheço Londres - que supostamente não é Inglaterra - compartilho o fascínio pelas casas de banho alcatifadas. Mas houve um ponto fundamental em que não concordei, já não me lembro se com o André ou com outro colega de experiência britânica. Foi acerca das miudas inglesas. Devo dizer que quando fui para Londres, as minhas expectativas eram negras. Mas a verdade é que vi muitas miudas giras na cidade. Assim vou tentar dizer bem da Inglaterra: há inglesas bonitas. E vou demonstrar com uns exemplos!
Nuno Anjos

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