Estrangeiros no momento
2005-02-24
 
O menino perdeu o brinquedo
O menino perdeu o brinquedo e quase chorou. A voz tremia, mas ele se aguentou e a lágrima não apareceu. É um menino grande, dizem. Dizem que naquele momento foi grande. Fazer o óbvio e não o absurdo (como tentou outro...) já é coisa louvável no Portugal actual.
Como um menino lingrinhas qualquer ficou contente de não ter sido último na corrida do bairro. Por ganhar ao seu irmão. Por ser o menos lingrinhas dos dois.
O menino que falou mal da Europa, que queria um país de vendedoras de peixes, e seus mercados. Que como Salazar preferia que Portugal fosse pobre e miserável a que mudasse de cara. Pelo menos era o que dizia para conseguir os votos das vendedoras de peixe e dos salazarentos. O menino que depois afinal já queria Europa quando lhe deixaram chegar ao poder, limitando-se finalmente a ser um subalterno de Bruxelas qualquer, a não ser, é claro, quando estivesse em jogo a vida de crianças indesejadas por quem sem as desejar as ousa fazer.
O menino chorou em casa baixinho. Lhe tiraram o brinquedo. A ele, que esperava que um dia o brinquedo dele fôssemos todos nós.
Obrigado a todos por lhe terem tirado o brinquedo a este menino e seus amigos chorões.
RF

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