Estrangeiros no momento
2005-05-19
 
Crispación y Amistades Peligrosas
A crispação que existe em Espanha entre governo e oposição (mesmo depois de trocarem os actores de papel) e que se acentuou depois da invasão ao Iraque, e mais ainda depois do 11M e, acima de tudo, depois do 14M, é algo absolutamente inimaginável para um português.
Esta crispação está a prejudicar, por agora, mais a oposição de direita que o governo de esquerda de Zapatero. Vejam, o "por agora"... Pois o motivo actual de maior conflito: a preparação de inicios de diálogos com ETA, me parece dar todos os motivos para que exista esta crispação. Eu, homem de esquerda, acho que Rajoy, e a oposição de direita minoritária e isolada no parlamento espanhol, têem razão neste tema.
Têem razão de um ponto de vista estratégico porque a luta antiterrorista contra ETA (pouco mais de um ano atrás este extra, "de ETA", não seria necessário...) é uma mais valia política óbvia do PP espanhol que o pacto anti-terrorista proposto pelo PSOE na oposição agora funcionaria como neutralizador. (Zapatero sutilmente admitia, ele próprio, que era este o estado de coisas.) E têem razão de um ponto de vista político porque não existe nenhuma pressão para que, com a ETA em decadência por força da repressão legal e policial (para a qual nunca é demais recordar o papel de uma maior colaboração francesa pós-11S), seja o governo espanhol a procurar uma porta de diálogo com os assassinos bascos. Ainda por cima quando toda a história recente de ETA indica que não existe nenhuma hipótese real de diálogo honesto e sério por sua parte.
O PSOE no governo está acertando em coisas muito importantes no campo social. E está falhando, ou arriscando-se demasiado a falhar em coisas fundamentais do ponto de vista político e territorial: a luta contra ETA, e o apoio dado a "terceiras ou quartas vias" nacionalistas que como todas "terceiras vias" não o são realmente.
Em Catalunha haveria sido muito melhor deixar que o partido com mais votos governasse (Convergência e União, nacionalistas catalães de centro-direita) do que através de coligações perigosas (falo da Esquerda Republicana de Carod Rovira) buscar a todo custo o poder e acabar por liderar um governo mais nacionalista que a alternativa anterior...
No país basco, que possui actualmente um estatuto político e de finaciamento mais autonômo que os estados norte-americanos ou alemães, qualquer abertura a revisões do estatuto é inevitavelmente um passo mais no sentido da independência (que não teria nada de errado não fosse ser um passo dado de forma inconsciente de que se está dando por aqueles que lideram a passeata, e por aqueles que neles votaram...)
O facto de não haver actualmente em Espanha uma alternativa política de esquerda real que esteja contra mais desmantelamento territorial é uma tragédia para aqueles que não gostam de saber que o partido popular espanhol terá sempre uma eterna bomba de reanimação insuflada pelos próprios partidos de esquerda espanhois... os melhores amigos dos seus próprios coveiros...
RF

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