Estrangeiros no momento
2005-05-18
 
Josef Skvorecky - O Engenheiro das Almas
Ando a ler-lo, ou melhor e mais felizmente dito, a deliciar-lo. Talvez não seja um livro destes que abrem fronteiras, mas muitos grandes livros não o são. Algumas centenas de páginas cheias de vida (basicamente da vida do autor já que o livro é reconhecidamente quase autobiográfico), história e literatura. Poucos livros e poucas vidas nos permitem passar página a tantos momentos históricos de tão grande importância, e ainda por cima de esta forma: saltando entre cartas, memórias, pensamentos, aborrecimentos e medos vários. Sim, Faulkner, é claro.
Do gelo de uma juventude baixo ocupação nazi em uma pequena cidade da Bohemia, até a ocupação soviética e os medos estalinistas, e daí ao frio do exilio numa canadiana Ontario livre, aborrecida e frívola... ocidental, é claro. Tudo, sempre, ao mesmo tempo. Muito político (o que pode tornar o livro suceptível de más críticas políticas por parte dos mais suceptíveis politicamente) e ao mesmo tempo nada político. Cômico e melancólico. Sempre ao mesmo tempo, como deve ser.
RF

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